Uma trajetória que pede solidariedade
Desde antes de nascer, Pietro Naibo já dava sinais de que seria um verdadeiro guerreiro. Ainda no ventre da mãe, começou a enfrentar desafios que exigiriam força, fé e uma maturidade precoce para alguém tão pequeno. Vieram cirurgias, exames especializados, diagnósticos delicados e longos períodos de recuperação. Mas, em nenhum desses momentos, o brilho nos olhos de Pietro se apagou.
A mãe, Ana Naibo, relembra que, durante a gestação, um exame de rotina apontou uma dilatação no rim esquerdo do bebê. “Com o passar dos dias, a dilatação aumentava, mas os médicos tinham a esperança de que, ao nascer, ele faria xixi e o quadro regrediria”, conta. No entanto, a expectativa não se confirmou.
Ainda recém-nascido, passou por uma pieloplastia — procedimento cirúrgico indicado para corrigir alterações na ligação entre o ureter e o rim (junção ureteropiélica), condição que pode levar, a longo prazo, até à falência renal. “Infelizmente, não tivemos um resultado positivo e, pouco tempo depois, foi necessário refazer o procedimento”, relata a mãe. Ao todo, Pietro enfrentou quatro cirurgias e duas inserções de cateter em centro cirúrgico.
Hoje, aos 10 anos, Pietro segue em tratamento contínuo, lutando diariamente por mais qualidade de vida. A equipe médica indicou sessões de fisioterapia pélvica, que não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Precisamos realizar algumas sessões para avaliar se os resultados serão satisfatórios e, então, ingressar com um pedido via judicial”, explica Ana.
Outro ponto de atenção surgiu ao longo da infância. Desde pequeno, Pietro apresentava quedas frequentes e se queixava de dores no joelho. Inicialmente, a possibilidade levantada era de “dor do crescimento”. No entanto, há poucos meses, um exame identificou um nódulo no joelho do pequeno atleta. Para este caso, também foram indicadas sessões de fisioterapia e, se não houver resposta positiva, a possibilidade de encaminhamento cirúrgico.
As limitações existem. As dores também. Mas nada disso é maior do que a alegria que Pietro espalha por onde passa. Ativo, sorridente e cheio de sonhos, ele carrega no coração um desejo simples e bonito: ser goleiro. Para isso, já treina em escolinhas de futsal, entre elas o Semear Futsal Social.
A trajetória de Pietro no futsal começou de forma gradual. Até os seis anos, ele saía pouco de casa, tanto pelos cuidados com a saúde quanto pela baixa imunidade. A primeira experiência aconteceu no projeto Semear, um projeto social voltado à convivência, integração e desenvolvimento das crianças por meio do esporte. Foi ali que ele passou a participar das atividades e a ter contato mais frequente com o futsal.
Com pouco tempo de participação no projeto, Pietro foi convidado a integrar uma equipe para a disputa de um campeonato, após a necessidade de um atleta da sua faixa etária. A partir daí, passou a atuar também em competições no futsal social, participando de jogos e campeonatos com diferentes equipes e treinadores, ampliando sua vivência esportiva.
Na sequência, Pietro integrou a base do Tapejara Futsal, onde participou de competições e também realizou avaliação específica para a posição de goleiro, sendo aprovado.
Atualmente, Pietro participa das atividades do Semear, do Tapejara Futsal e da Adergs. Nesta última, atua como goleiro nas categorias de base, tendo disputado competições no sub-9 e, neste ano, no sub-11. Ao longo desse período, participou de diversos campeonatos, incluindo disputas representando o município de Charrua, como a TG, a Copa Amunor e outras competições espalhadas pela região. Segundo a família, ele tem forte vínculo com a comunidade local, especialmente com o povo Kaingang, da região da Reserva do Ligeiro, onde se sente motivado a representar o município em quadra.
Na vida, Pietro já é campeão. Defende não apenas um gol, mas a esperança, a coragem e a vontade de seguir em frente, mesmo quando o caminho é mais difícil. Cada sessão de tratamento representa um passo a mais na trajetória de quem nasceu para vencer.
Diante dos altos custos e da necessidade de dar continuidade aos cuidados médicos, a família está promovendo uma rifa solidária para arrecadar recursos. Cada cartela custa R$ 10,00 e dá direito a concorrer a dez prêmios: uma air fryer, um cobertor, uma chaleira elétrica, uma garrafa térmica, uma frigideira, um jogo de toalhas, um kit com 50 docinhos de festa, um kit da Natura, uma torta e um Pix de R$ 200,00. O sorteio será realizado no dia 14 de abril.
Quem desejar colaborar pode entrar em contato diretamente com a mãe do Pietro, Ana Naibo, pelo WhatsApp (54) 9 9964-8605.
A rifa representa a oportunidade de a comunidade se unir em torno de uma causa maior. Ajudar o Pietro é investir em saúde, dignidade e futuro.
Texto: Renee Rodrigues Fontana / Olhar Daqui RS e Jornalismo Esportivo Rádio Tapejara
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