Safra 2026 registra danos generalizados e expectativa de queda expressiva na produção
AGRICULTURA
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Safra 2026 registra danos generalizados e expectativa de queda expressiva na produção

Por Alessandra Staffortti
16/02/2026 06:49
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A estiagem registrada nas últimas semanas tem provocado impactos diretos nas lavouras de soja e milho na região Norte do Rio Grande do Sul. Os engenheiros agrônomos Cláudio Doro e Luciano Remor relataram perdas já consolidadas nas lavouras e alertaram para os reflexos econômicos que devem atingir os produtores após a colheita.

Cláudio Doro afirmou que a situação é preocupante e que, em muitos casos, empatar os custos já pode ser considerado resultado positivo. Segundo ele, as perdas são irreversíveis, especialmente nas lavouras em fase de enchimento de grãos. Mesmo com eventual retorno das chuvas, o potencial produtivo já foi comprometido. O agrônomo relatou que realizou laudos de Proagro em municípios como Vila Lângaro, Sertão e Coxilha, constatando reduções expressivas na produtividade.

Doro explicou que lavouras que indicavam potencial inicial de 60 a 70 sacas por hectare devem colher entre 35 e 40 sacas. Em algumas áreas vistoriadas, a quebra chega a 50%. Ele destacou que houve aborto de flores e vagens e que a falta de umidade prejudicou o enchimento dos grãos. No cenário geral, a estimativa é de perda entre 10 e 20 sacas por hectare, podendo aumentar caso a escassez de chuvas persista.

Além das perdas no campo, o agrônomo ressaltou a preocupação com o impacto financeiro após a colheita. Ele mencionou compromissos como custeio, parcelas prorrogadas de dívidas, contratos de arrendamento e pagamentos a fornecedores, muitos deles vinculados a cerealistas e cooperativas, que dependem diretamente da produção esperada.

O engenheiro agrônomo Luciano Remor também confirmou perdas irreversíveis na soja. Ele relatou que áreas visitadas apresentam produtividade estimada entre 35 e 40 sacas por hectare. Conforme dados da Embrapa, a média histórica de precipitação em janeiro é de 174 milímetros, mas neste ano foram registrados 111 milímetros. No ano anterior, considerado ainda mais seco, o índice foi de 73 milímetros.

Remor destacou que diversas regiões, como Ipiranga, Erechim, Passo Fundo, Marau, Lagoa Vermelha e áreas próximas a Santa Catarina, apresentam danos no rendimento. Ele afirmou que muitas lavouras plantadas no final de novembro e dezembro tiveram crescimento limitado e formação de vagens comprometida pela seca. A estimativa geral apontada durante o programa é de quebra próxima de 30% na safra atual.

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Fonte:

Uirapuru




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