Relatos de horror: Internos resgatados de clínica em Estação detalham torturas e ameaças de morte
POLÍCIA
473

Relatos de horror: Internos resgatados de clínica em Estação detalham torturas e ameaças de morte

Vítimas relatam agressões com taquaras, disparos de chumbinho e procedimentos cirúrgicos feitos sem anestesia pelos próprios monitores

Por José Augusto Pirolli da Silva
15/02/2026 08:36
Atualizado: 15/02/2026 08:38
Compartilhar
        


Na manhã deste sábado (14), a equipe de reportagem do Clube do Ouvinte conversou com internos resgatados da clínica de reabilitação fechada na localidade de Navegantes, interior de Estação, na última sexta-feira. Em relatos emocionados, os sobreviventes detalharam o cenário de horror e abusos que enfrentaram no local.

Métodos de Tortura

Segundo os internos, o diálogo não existia na instituição. O cotidiano era marcado por agressões físicas e morais. Um dos resgatados relembrou as ameaças constantes: "Você faz o que eu mando ou vou pegar o revólver e te dar um tiro no meio da tua cabeça". Ele conta que, ao implorar pela morte para acabar com o sofrimento, ouviu de um monitor que não seria morto porque o objetivo era "vê-lo sofrendo".

Outras situações de extrema violência foram descritas:

- Punições coletivas: Quando um interno era agredido, os demais eram proibidos de interferir, sob risco de sofrerem a mesma tortura.

- Agressões físicas: Um reabilitante foi agredido com pedaços de taquara, chutes e tapas no rosto após dizer a um colega que contaria à família sobre os abusos.

- Ferimentos por arma de fogo: Os internos relataram que, em janeiro, um colega tentou fugir pulando a cerca e foi atingido na nuca por um tiro de espingarda de chumbinho. O projétil teria sido retirado pelos próprios monitores, sem o uso de anestesia ou analgésicos.

Privações e Extorsão

A falta de profissionais básicos, como médicos, enfermeiros e psicólogos, era a regra. Uma das vítimas relatou que a família chegou a depositar R$ 800,00 para a compra de medicamentos controlados, mas os monitores retiveram o remédio por dez dias, alegando que o pagamento não havia sido feito. "Eles riam de mim e falavam que minha família tinha me abandonado e que eu iria morrer ali mesmo", desabafou.

O Alívio do Resgate

O clima de terror só terminou com a intervenção policial na manhã de sexta-feira. "A gente tinha medo de dormir. Quando vimos a polícia invadindo o local, o alívio foi instantâneo", afirmou um dos homens enquanto outros choravam ao ouvir o relato.

Acolhimento em Getúlio Vargas

A Comunidade Terapêutica SOGEASME, de Getúlio Vargas, que atua na reabilitação de dependentes há mais de uma década, acolheu 11 dos resgatados. A instituição ofereceu leitos, roupas, alimentação e suporte psicológico até que as famílias ou a assistência social dos municípios de origem busquem os pacientes.

A coordenação da SOGEASME demonstrou choque com a gravidade dos depoimentos. Um dos monitores da instituição, visivelmente emocionado, descreveu a chegada do grupo: "Parecia que eles estavam chegando no paraíso".

Fonte: Clube do Ouvinte

Divulgação, Clube do Ouvinte




Notícias Relacionadas