Vítimas relatam agressões com taquaras, disparos de chumbinho e procedimentos cirúrgicos feitos sem anestesia pelos próprios monitores
Na manhã deste sábado (14), a equipe de reportagem do Clube do Ouvinte conversou com internos resgatados da clínica de reabilitação fechada na localidade de Navegantes, interior de Estação, na última sexta-feira. Em relatos emocionados, os sobreviventes detalharam o cenário de horror e abusos que enfrentaram no local.
Métodos de Tortura
Segundo os internos, o diálogo não existia na instituição. O cotidiano era marcado por agressões físicas e morais. Um dos resgatados relembrou as ameaças constantes: "Você faz o que eu mando ou vou pegar o revólver e te dar um tiro no meio da tua cabeça". Ele conta que, ao implorar pela morte para acabar com o sofrimento, ouviu de um monitor que não seria morto porque o objetivo era "vê-lo sofrendo".
Outras situações de extrema violência foram descritas:
- Punições coletivas: Quando um interno era agredido, os demais eram proibidos de interferir, sob risco de sofrerem a mesma tortura.
- Agressões físicas: Um reabilitante foi agredido com pedaços de taquara, chutes e tapas no rosto após dizer a um colega que contaria à família sobre os abusos.
- Ferimentos por arma de fogo: Os internos relataram que, em janeiro, um colega tentou fugir pulando a cerca e foi atingido na nuca por um tiro de espingarda de chumbinho. O projétil teria sido retirado pelos próprios monitores, sem o uso de anestesia ou analgésicos.
Privações e Extorsão
A falta de profissionais básicos, como médicos, enfermeiros e psicólogos, era a regra. Uma das vítimas relatou que a família chegou a depositar R$ 800,00 para a compra de medicamentos controlados, mas os monitores retiveram o remédio por dez dias, alegando que o pagamento não havia sido feito. "Eles riam de mim e falavam que minha família tinha me abandonado e que eu iria morrer ali mesmo", desabafou.
O Alívio do Resgate
O clima de terror só terminou com a intervenção policial na manhã de sexta-feira. "A gente tinha medo de dormir. Quando vimos a polícia invadindo o local, o alívio foi instantâneo", afirmou um dos homens enquanto outros choravam ao ouvir o relato.
Acolhimento em Getúlio Vargas
A Comunidade Terapêutica SOGEASME, de Getúlio Vargas, que atua na reabilitação de dependentes há mais de uma década, acolheu 11 dos resgatados. A instituição ofereceu leitos, roupas, alimentação e suporte psicológico até que as famílias ou a assistência social dos municípios de origem busquem os pacientes.
A coordenação da SOGEASME demonstrou choque com a gravidade dos depoimentos. Um dos monitores da instituição, visivelmente emocionado, descreveu a chegada do grupo: "Parecia que eles estavam chegando no paraíso".
Fonte: Clube do Ouvinte
Divulgação, Clube do Ouvinte
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