Entre os dois municípios da Amunor que aderiram à iniciativa desenvolvida em parceria com o Governo Federal, Tapejara identificou uma demanda local e transformou a alfabetização em uma ferramenta de inclusão, autonomia e oportunidades
A alfabetização abriu portas para novos caminhos, fortaleceu a independência e aproximou diferentes culturas em Tapejara. No dia 2 de julho, participantes do Programa Brasil Alfabetizado celebram a conclusão de uma jornada marcada por aprendizado, superação e integração social.
Desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com a Prefeitura de Tapejara, por meio da Secretaria de Educação, o projeto colocou o município entre os dois integrantes da Associação dos Municípios do Nordeste Riograndense (Amunor) a aderirem à iniciativa. Mais do que promover a alfabetização de jovens e adultos, a ação reuniu pessoas com histórias bastante distintas, incluindo indígenas, brasileiros que interromperam os estudos ao longo da vida e imigrantes que encontraram em Tapejara a possibilidade de recomeçar.
Entre os participantes está a indígena Marly Paliano. Sem ter frequentado a escola anteriormente, ela afirma que a experiência trouxe mudanças significativas para sua rotina e para sua independência.
Marly recorda que antes precisava pedir ajuda para atividades simples do cotidiano, como identificar preços ou compreender informações escritas. Hoje, consegue ler, escrever e realizar tarefas que antes dependiam do auxílio de outras pessoas. Ela também destaca o apoio recebido da professora, da direção, dos colegas e de toda a turma durante o processo.
Segundo Marly, a persistência foi fundamental para superar os desafios. “Às vezes a gente chegava cansado do serviço e dava vontade de desistir. Mas sempre tinha alguém incentivando. Hoje eu aprendi a ler e escrever, e queremos continuar aprendendo mais ainda”, relata.
Outra história marcada pela superação é a do aposentado Miguel Silva dos Santos. Ele interrompeu os estudos ainda na infância para ajudar a família no trabalho rural. Décadas depois, encontrou na iniciativa a chance de retomar um sonho antigo.
Miguel explica que precisou abandonar a escola após a segunda série para trabalhar na lavoura e contribuir com a manutenção da família. Mesmo após tantos anos longe da sala de aula, voltou a estudar com dedicação e afirma não ter faltado a nenhuma aula.
Para ele, a experiência representa a realização de um desejo que permaneceu vivo ao longo dos anos. “Eu agradeço a Deus por ter essa oportunidade de voltar a estudar. Estou descobrindo as letras, aprendendo a escrever e quero continuar os estudos”, afirma.
Se para Marly e Miguel a ação representou a retomada dos estudos, para os imigrantes que escolheram Tapejara para viver ela também se tornou uma importante ferramenta de integração social e qualificação
A turma contou com a participação de diversos venezuelanos que hoje vivem e trabalham no município. Para eles, as aulas contribuíram para o aperfeiçoamento da língua portuguesa e para ampliar as possibilidades de crescimento profissional e convivência comunitária.
Foi justamente essa possibilidade que motivou Jose Humberto Moreno Martinez a participar das aulas e aperfeiçoar o domínio do idioma.
Jose destaca que o aprendizado facilitou a comunicação no ambiente de trabalho e na convivência diária. Segundo ele, antes das aulas, muitas vezes a comunicação acontecia por gestos ou com dificuldades de entendimento. Com o avanço dos estudos, passou a se sentir mais preparado para conversar com colegas, superiores e com a comunidade em geral.
Jose também ressalta o acolhimento recebido em Tapejara e o incentivo à qualificação profissional. “Agradeço muito essa oportunidade. Quero continuar aprendendo, crescer profissionalmente e conhecer cada vez mais o Brasil”, afirma.
A venezuelana Ana Cristina Brito também encontrou na iniciativa um caminho para ampliar sua formação pessoal. Ela conta que foi incentivada por uma amiga a participar das aulas e decidiu aproveitar a chance para adquirir novos conhecimentos.
Ana relata que sempre valorizou os estudos, mas enfrentou dificuldades para seguir sua formação no país de origem. Ao chegar ao Brasil, encontrou novos desafios, especialmente relacionados ao idioma e à adaptação à realidade local.
Mesmo conciliando trabalho e estudos, manteve a frequência durante quase um ano. “Não é fácil trabalhar o dia todo e depois vir estudar, mas é uma oportunidade que precisamos aproveitar. Aqui encontrei conhecimento, acolhimento e novas possibilidades para crescer”, destaca.
Para a secretária de Educação, Jaqueline Palma, a experiência superou as expectativas iniciais da administração municipal. Segundo ela, embora a proposta tenha sido concebida para atender pessoas não alfabetizadas, a realidade local revelou uma demanda importante de imigrantes que buscavam aperfeiçoar a língua portuguesa para ampliar suas perspectivas no Brasil.
Jaqueline explica que a decisão de incluir esse público foi acertada e reforçou o papel de Tapejara como um município acolhedor e comprometido com o desenvolvimento das pessoas. Conforme a secretária, muitos participantes já possuem formação técnica ou superior em seus países de origem, mas encontram dificuldades para validar diplomas e ingressar no mercado de trabalho em suas áreas de atuação.
Ao destacar a importância da iniciativa, Jaqueline afirma que a administração municipal compreendeu essa necessidade e ampliou o alcance da ação para atender diferentes públicos. “Foi um grande acerto da gestão Big-Gipe. Tapejara mais uma vez sai na frente, acolhendo essas pessoas e oferecendo oportunidades por meio da educação”, destaca.
A secretária ressalta ainda que a conclusão desta fase representa um marco importante para os participantes e abre portas para novas perspectivas de crescimento pessoal e profissional.
Os resultados alcançados ao longo do período serão celebrados em cerimônia de formatura no dia 2 de julho, às 19h, no Centro Cultural José Maria Vigo da Silveira, quando a turma receberá o reconhecimento pelo empenho e dedicação demonstrados durante o processo.
Mais do que o encerramento de um ciclo de aprendizagem, a formatura simboliza independência, confiança e a certeza de que sempre é possível construir novos caminhos por meio do conhecimento.
Fonte: ASCOM / Prefeitura de Tapejara
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