A educação no Brasil é a principal porta de entrada para a transformação social. Embora a jornada escolar formal comece cedo, esperando-se a alfabetização logo aos seis anos de idade, em um país continental, plural e miscigenado, o aprendizado não tem limite de idade.
Em Tapejara, essa realidade ganhou novos contornos. Estima-se que o município abrigue hoje mais de 5 mil venezuelanos, o que representa cerca de um a cada cinco moradores da cidade. Quando a Prefeitura Municipal implementou o programa Brasil Alfabetizado na Escola Severino Dalzotto, há um ano, não se imaginava a proporção da demanda da comunidade imigrante pelo projeto.
Para a maioria dos alunos que agora concluem os anos iniciais do Ensino Fundamental, o retorno aos bancos escolares é um recomeço. Muitos deles já possuem formação superior ou especialização em seu país natal. Assim, voltar a estudar torna-se um exercício profundo de humildade e persistência diante de tantos outros desafios, como a repatriação de um lar, o choque cultural, as longas jornadas de trabalho e a busca por uma nova vida em solo brasileiro.
A cerimônia de formatura desta primeira etapa acontece no próximo dia 2 de julho, no Centro Cultural de Tapejara. E a jornada continua: para aqueles que seguirem firmes até o final do ano, o objetivo será a conquista do Ensino Fundamental completo.