A mobilização nos bastidores que ajudou o Inter a quebrar o jejum
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A mobilização nos bastidores que ajudou o Inter a quebrar o jejum

Pressão da torcida, conversas de Abel Braga, mudanças de Pezzolano e até uma doação de R$ 20 milhões fizeram parte da semana que terminou com a vitória sobre a Chapecoense

Por José Augusto Piroli da Silva
15/09/2026 11:28
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A vitória por 2 a 1 sobre a Chapecoense, sábado à noite, na Arena Condá, encerrou um jejum de dez partidas sem triunfos e reduziu, em termos percentuais, as chances de rebaixamento do Inter. O time, porém, continua no Z-4 e sabe que, se quiser permanecer na Série A, precisará transformar a reação em uma sequência de resultados positivos. Tanto que, segundo o técnico Paulo Pezzolano, o resultado sequer representou “alívio”. A vitória, fundamental, foi construída em uma semana marcada por uma mobilização que ultrapassou os limites do campo e teve muita conversa, pressão externa e até uma injeção extra e inesperada de dinheiro no caixa colorado.

A semana começou sob forte pressão. Depois da derrota para o Santos, por 3 a 2, no Beira-Rio, domingo passado, torcedores ligados às principais torcidas organizadas estiveram no CT nos dois primeiros treinamentos. Na quinta-feira, eles foram recebidos por jogadores, dirigentes e por Pezzolano. O encontro terminou com um “pacto de paz” pelo menos até a partida contra a Chapecoense, compromisso que foi respeitado no treino de sexta-feira, o último antes da viagem para Santa Catarina.

Naquela noite, enquanto o grupo já estava em Chapecó, o provável candidato à presidência do Inter na eleição de dezembro, Roberto Melo, revelou em suas redes sociais que Delcir Sonda havia decidido fazer uma doação de R$ 20 milhões. O conselheiro já teve participação importante em contratações emblemáticas do passado, entre elas a de D'Alessandro, mas atualmente cobra na Justiça dívidas antigas do Inter, resolveu dar o dinheiro para que o clube conseguisse pagar pendências com os jogadores, principalmente os direitos de imagem e um acordo referente ao 13º salário que não foi pago no prazo correto e acabou sendo parcelado e não honrado.

O anúncio teve repercussão entre os jogadores e também foi recebido de forma positiva por Pezzolano. Depois da vitória, o treinador destacou a importância de colocar os salários e demais pagamentos em dia. “Jogador é um trabalhador. Tem jogador que tem 25 pessoas, que precisam ajudar filhos, tios, etc. Parabéns a todos que conseguiram isso. Por isso eles precisam receber para trabalhar tranquilos. Os pagamentos vão ajudar muito”, afirmou.

CONVERSAS

A movimentação também passou pelo vestiário. Na semana que antecedeu o confronto, o diretor técnico Abel Braga conversou individualmente e em grupo com os jogadores. A intenção foi recuperar a confiança de um elenco que vinha de dez partidas sem vencer no Brasileirão e que já sentia os efeitos da sequência negativa.

Pezzolano, por sua vez, tomou decisões dentro de campo. A principal foi deixar o Sanabria no banco e montar uma equipe mais defensiva, apostando na velocidade dos contra-ataques. A estratégia tinha uma razão clara: a Chapecoense vinha embalada pela vitória fora de casa sobre o Corinthians e atuaria diante de sua torcida. A tendência é que atacasse o Inter.

Funcionou. O time colorado suportou a pressão, aproveitou os espaços e construiu a vitória por 2 a 1. O resultado não resolveu os problemas, tampouco tirou a equipe do Z-4, mas interrompeu uma sequência que já ameaçava, inclusive, o emprego do treinador. Pezzolano sabia que deixaria o clube em caso de novo tropeço e, inclusive, comentou isso em sua entrevista, dizendo ser normal o clube “conversar” com um possível substituto.

Agora, a mobilização terá de continuar. O próximo desafio será contra o São Paulo, novamente fora de casa, na noite de sábado. E, mais uma vez, o Inter precisará juntar o que tem dentro e fora do campo para tentar buscar os três pontos.

Fonte: Correio do Povo




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