A forte redução no nível da água da Barragem do Capinguí voltou a preocupar moradores e proprietários de imóveis da região entre Mato Castelhano e Marau. Após receber diversos relatos de ouvintes, a Rádio Uirapuru esteve no Condomínio Araucária para verificar a situação de perto e constatou áreas de terra exposta onde antes havia água, além de embarcações fora do reservatório. No local, a reportagem conversou com Miguel, um dos responsáveis pelos cuidados do Condomínio Araucária, que relatou preocupação dos moradores com o atual cenário, mas afirmou acreditar que o nível da barragem pode voltar a subir caso ocorram chuvas mais intensas e mudanças na operação das comportas.
Morador da região há cerca de sete anos, Miguel afirmou à Rádio Uirapuru que já acompanhou outros períodos de redução no nível da água da barragem, mas destacou que o atual cenário voltou a gerar apreensão entre moradores e proprietários de imóveis do entorno. Segundo ele, áreas que antes permaneciam cobertas pela água hoje estão completamente secas, alterando a paisagem do Capinguí.
Apesar da preocupação, Miguel acredita que o reservatório possa voltar a encher caso ocorram chuvas mais intensas e haja mudanças na operação das comportas da barragem.
Diante da repercussão do caso, a Rádio Uirapuru entrou em contato com o promotor de Justiça do Meio Ambiente de Passo Fundo, Paulo Cirne, para entender se o Ministério Público acompanha a situação e quais providências podem ser tomadas em relação à operação da barragem.
Segundo o promotor, o Ministério Público recebeu as imagens registradas pela reportagem da Rádio Uirapuru e anexou o material ao procedimento investigatório já existente sobre a barragem. Conforme relatou, embora a promotoria ainda não tenha sido oficialmente comunicada sobre a situação mais recente, as imagens evidenciam um novo episódio de esvaziamento considerado excessivo.
De acordo com o promotor, o entendimento do Ministério Público é de que, em determinados momentos, há uma operação inadequada da barragem. Ele destacou que o reservatório sofre reduções muito acentuadas no nível da água mesmo em períodos sem estiagem severa, situação que gera impactos ambientais e também econômicos para toda a região.
Durante a entrevista, Paulo Cirne explicou que existe autorização ambiental permitindo uma redução de até cinco metros no nível do reservatório. Ainda assim, segundo ele, a promotoria considera que a flexibilização concedida é ampla demais. O promotor relatou que o Ministério Público mantém discussões constantes com a empresa responsável pela operação da barragem, buscando alternativas que permitam a geração de energia sem provocar prejuízos ambientais e sociais.
O representante do Ministério Público também chamou atenção para possíveis impactos sobre a fauna aquática. Conforme explicou, a diminuição excessiva do volume de água pode afetar peixes e outros organismos vivos da barragem, além de alterar significativamente o ecossistema da região. Outro ponto destacado por ele envolve os reflexos diretos sobre o turismo e os investimentos realizados ao longo dos anos nas margens do Capinguí.
Segundo o promotor Paulo Cirne, embora a barragem tenha sido construída originalmente para geração de energia, a região acabou desenvolvendo ao longo dos anos uma forte vocação voltada ao turismo e ao lazer. Condomínios, casas de veraneio, pousadas, restaurantes e outros empreendimentos passaram a ocupar o entorno do reservatório, transformando o Capinguí em um dos principais pontos de descanso e recreação da região.
O representante do Ministério Público afirmou que a operação da barragem precisa considerar essa nova realidade econômica e social consolidada ao redor do lago. Conforme explicou, a participação do Capinguí no sistema nacional de geração de energia é pequena, enquanto o potencial turístico e ambiental da área é significativo. Paulo Cirne também revelou que existem discussões entre lideranças políticas, municípios e representantes da sociedade sobre alternativas futuras que conciliem preservação ambiental, turismo e uso sustentável do reservatório.
Outro ponto levantado durante a conversa foi a falta de comunicação prévia à comunidade quando ocorre abertura das comportas. Segundo Paulo Cirne, atualmente a empresa possui liberdade operacional dentro dos limites estabelecidos pelas licenças ambientais, sem obrigatoriedade de avisar previamente moradores ou proprietários sobre alterações mais bruscas no nível da água.
Para o Ministério Público, no entanto, a operação deveria ocorrer com maior equilíbrio e planejamento. O promotor afirmou que o questionamento central não é impedir a geração de energia, mas estabelecer qual seria o volume realmente necessário para a atividade sem comprometer o meio ambiente e a dinâmica econômica criada em torno da barragem.
A situação segue sendo acompanhada pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente. Enquanto isso, moradores da região observam com apreensão o avanço das áreas secas ao redor do reservatório e aguardam uma definição sobre o comportamento da barragem nas próximas semanas.
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Fonte:
Uirapuru
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