Ex-prefeito de Lajeado é preso em operação da PF contra desvio de verbas
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Ex-prefeito de Lajeado é preso em operação da PF contra desvio de verbas

Por Alessandra Staffortti
26/02/2026 10:38
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), mais uma fase da Operação Lamaçal, que investiga supostos desvios de recursos públicos federais. Entre os presos está o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, que comandou o município entre 2017 e 2023.

A prisão é temporária, com prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período. A medida foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região para evitar combinação de versões entre investigados e possível eliminação de provas. Segundo o delegado Marconi Silva, mensagens analisadas indicariam risco de destruição de evidências.

Caumo deve ser encaminhado ao Presídio Estadual de Lajeado e deverá prestar depoimento à PF na próxima semana.

Investigação envolve recursos do FNAS

O inquérito apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), parte deles destinados à prefeitura de Lajeado, no Vale do Taquari. A investigação aponta indícios de direcionamento em contratos de prestação de serviços terceirizados, como psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas.

As contratações teriam ocorrido com dispensa de licitação, sob justificativa de estado de calamidade pública decretado após enchentes na região. Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) indica que a empresa investigada pode ter sido contratada sem observância da proposta mais vantajosa, com valores acima do mercado. O montante dos contratos sob análise soma cerca de R$ 120 milhões.

Os investigados podem responder por desvio de verbas públicas, irregularidades em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro.

Dinheiro em espécie e novas prisões

Durante as apurações, a PF encontrou R$ 411 mil em espécie em um cofre no escritório onde Caumo atuava como advogado antes de ingressar na vida pública. A origem do valor também está sob investigação.

Nesta fase da operação, além do ex-prefeito, uma empresária ligada à empresa investigada foi presa e uma vereadora de Encantado foi afastada do cargo. Ao todo, a PF cumpre mandados em 20 endereços nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 5 milhões em ativos e o sequestro de veículos.

Defesa e posicionamento oficial

Por meio do advogado Jair Alves Pereira, a defesa de Marcelo Caumo informou que ainda não teve acesso à decisão judicial e afirmou desconhecer os fundamentos da prisão. Segundo ele, o ex-prefeito tinha depoimento agendado para o dia 4 de março.

Em nota, a Prefeitura de Lajeado declarou que a investigação envolve contratos firmados em gestões anteriores e que está colaborando com a Polícia Federal, fornecendo documentos e informações solicitadas, reforçando o compromisso com a transparência e a legalidade na administração pública.




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