Nas vésperas da estreia no Brasileirão, time colorado goleou o rival no Beira-Rio e ganhou confiança para os próximos jogos
A vitória do Inter sobre o Grêmio no Gre-Nal, disputado no domingo, no Beira-Rio, cumpriu exatamente o papel que se esperava dela: deu confiança ao grupo e um pouco de tranquilidade ao ambiente. Nada além disso. Segundo relatos, não houve, internamente, qualquer esforço para vender o clássico como ponto de virada definitivo, até porque ninguém no clube parece disposto a confundir três pontos com solução estrutural. Aliás, o Inter estreia amanhã no Brasileirão, diante do Athletico-PR, com o objetivo inicial de fazer uma “campanha segura”, sem os riscos vividos no ano passado. Qualquer coisa além disso, será considerado lucro.
O resultado positivo serviu para reforçar a crença no trabalho e fortalecer o vestiário, mas não foi tratado como maquiagem para problemas que seguem evidentes. A escassez de opções no elenco, especialmente para que Paulo Pezzolano consiga variar a formação e encontrar respostas diferentes dentro de campo, continua sendo uma realidade difícil de ignorar.
O próprio treinador fez questão de puxar o freio de mão logo após a partida, adotando a política dos pés no chão. O discurso foi repetido, em tom semelhante, pelo executivo Fabinho Soldado. Ambos deixaram claro que a vitória no clássico não altera o cenário mais amplo: o Inter inicia a temporada em um processo assumido de transição e contenção.
“Hoje (domingo), vencemos o clássico e estamos todos felizes. Mas a torcida precisa saber que vamos passar por momentos complicados ao longo da temporada”, afirmou Pezzolano, sem rodeios. Ainda assim, o técnico valorizou o ambiente criado no Beira-Rio. “Estou orgulhoso (pela vitória no Gre-Nal) porque eu acho que a torcida se sentiu identificada. Hoje não eram 11 jogadores, éramos 12. A torcida, como puxou por momentos, era impressionante. E isso é o que queremos. Com a ajuda da torcida, queremos ser um time forte”, completou.
Na mesma linha, Pezzolano reforçou que o planejamento vai além das quatro linhas. “Há momentos difíceis, mas é preciso entender o plano do Inter para este ano. Temos que seguir com energia, fazendo um time dentro do campo e fora do campo. Está se formando um time fora de campo, entendendo o momento do Inter”, explicou.
Fabinho Soldado foi igualmente direto ao tratar do contexto do clube. “Sabemos que o ano vai ser muito difícil. Faz 15 anos que o Inter não ganha um título de relevância. Temos que trabalhar na reformulação do elenco e do trabalho, mas confio muito no grupo. Tenho convicção no que está sendo feito. Os jogadores, inclusive os que estão chegando, estão entendendo a nossa realidade”, declarou o dirigente, que fez questão de elogiar todo o grupo de trabalho, inclusive aqueles anônimos.
O executivo ainda reforçou o caráter inicial do processo. “É um começo de trabalho. Vamos esquecer o ano passado e seguir em frente. Precisamos entender claramente quais são os objetivos do Inter”, concluiu. Em resumo, o Gre-Nal trouxe alívio e confiança, ingredientes importantes. Mas, no Beira-Rio, ninguém parece disposto a acreditar que um clássico, por si só, resolva um ano que promete ser longo, duro e, como os próprios dirigentes admitem, de escassez.
Fonte: Correio do Povo
62.987.459 de acessos desde 2009
Direitos Reservados. Desenvolvido por Impar Agencia Web.