El Niño pode atingir intensidade histórica entre novembro e dezembro, mas efeitos no RS ainda são incertos
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El Niño pode atingir intensidade histórica entre novembro e dezembro, mas efeitos no RS ainda são incertos

Projeções analisadas pela MetSul indicam que o aquecimento do Pacífico pode alcançar níveis sem precedentes em pelo menos 150 anos.

Por Alessandra Staffortti
13/10/2026 08:23
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O fenômeno El Niño deve continuar ganhando força nos próximos meses e poderá atingir seu pico de intensidade entre novembro e dezembro de 2026. As projeções analisadas pela MetSul Meteorologia apontam para um episódio excepcional de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com possibilidade de superar os registros dos eventos mais intensos já observados.

Se os cenários atuais se confirmarem, o El Niño de 2026–2027 poderá se tornar o mais forte em pelo menos 150 anos. A estimativa, entretanto, ainda depende da evolução das condições oceânicas e atmosféricas nas próximas semanas.

Para o Rio Grande do Sul, especialmente para a Metade Norte do Estado, a perspectiva exige acompanhamento. O El Niño costuma favorecer períodos de chuva acima da média no Sul do Brasil, mas a intensidade do aquecimento do Pacífico não determina, por si só, o volume de precipitação que será registrado em cada região.

Essa diferença é importante para Erechim e os municípios do Alto Uruguai, onde o comportamento das chuvas influencia diretamente a agricultura, o abastecimento de água e os níveis dos rios.

Pacífico pode registrar aquecimento sem precedentes

Segundo a MetSul, a região Niño 3.4, localizada na faixa central e oriental do Pacífico Equatorial e utilizada como referência para o monitoramento do fenômeno, apresenta uma anomalia de temperatura da superfície do mar estimada em 3,3°C acima da média.

As projeções citadas pela empresa indicam que esse aquecimento poderá se aproximar de 4°C no fim do ano.

O valor seria excepcional. Para comparação, episódios historicamente classificados como Super El Niño alcançaram anomalias superiores a 2°C, enquanto o evento de 2015–2016 figura entre os mais intensos das séries modernas de monitoramento.

A possibilidade de superar essas marcas coloca o episódio atual sob atenção dos centros de previsão climática.

É importante distinguir, porém, as estimativas de aquecimento da superfície do mar dos valores oficiais do Índice Oceânico Niño (ONI), que considera médias de temperatura ao longo de períodos de três meses. Uma anomalia semanal elevada não corresponde automaticamente ao valor consolidado desse índice.

Por que o El Niño costuma atingir o pico em dezembro?

A concentração do aquecimento no fim do ano é uma característica recorrente do fenômeno.

Historicamente, grandes episódios de El Niño alcançaram seus valores máximos entre novembro e dezembro. Foi o que ocorreu nos eventos de 1982–1983, 1997–1998, 2015–2016 e 2023–2024.

O próprio nome El Niño está relacionado ao período do Natal, expressão utilizada por pescadores peruanos para identificar o aquecimento das águas do Pacífico próximo à costa da América do Sul.

O processo começa com alterações na circulação dos ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para Oeste sobre o Pacífico Equatorial.

Quando esses ventos enfraquecem, parte das águas superficiais mais quentes se desloca em direção ao Pacífico central e oriental. A redistribuição do calor modifica as correntes marítimas e interfere na circulação atmosférica.

Essa interação entre oceano e atmosfera pode reforçar o aquecimento durante vários meses, até que o fenômeno alcance sua intensidade máxima.

Pelos modelos apresentados pela MetSul, o El Niño deverá começar a perder força gradualmente a partir do início de 2027.

Um El Niño mais forte significa mais chuva no Rio Grande do Sul?

Não necessariamente. Embora exista uma relação conhecida entre episódios de El Niño e maior frequência de chuvas no Sul do Brasil, os efeitos variam conforme a configuração da atmosfera e dos oceanos.

A posição das águas mais quentes no Pacífico, a circulação dos ventos e a temperatura de outras áreas oceânicas podem alterar a distribuição das chuvas.Isso explica por que dois episódios de intensidade semelhante podem provocar consequências diferentes.

A própria MetSul observa que, apesar de o El Niño de 2026 apresentar aquecimento mais intenso do que o registrado em 2023, o Rio Grande do Sul recebeu, até agora, menos chuva do que no episódio anterior.

Em São Paulo, a comparação apresenta outro comportamento. Enquanto o El Niño de 2023 esteve associado a períodos de calor intenso, o episódio atual vem acompanhado de chuva excessiva e ocorrências de enchentes em determinadas áreas.

Portanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre a temperatura do Pacífico e a gravidade dos eventos meteorológicos em cada estado.

Alto Uruguai precisa acompanhar evolução das chuvas

Na região de Erechim, o avanço do El Niño é especialmente relevante para o planejamento das atividades agrícolas e o acompanhamento das condições hidrológicas.

O Alto Uruguai concentra municípios com forte participação da produção de grãos, leite, suínos e aves. Períodos prolongados de chuva podem interferir no trabalho no campo, nas condições das estradas rurais e no transporte da produção.

Também merecem atenção as bacias hidrográficas da região, principalmente quando episódios de precipitação intensa atingem diferentes municípios em sequência.

Isso não significa que estejam previstas enchentes generalizadas ou volumes extremos de chuva para Erechim. A intensidade do El Niño, isoladamente, não permite fazer esse tipo de previsão local.

Os riscos dependerão da distribuição das precipitações, da duração dos episódios de instabilidade e das condições dos rios e do solo em cada período.

Próximos meses serão decisivos

O acompanhamento do fenômeno deverá ganhar importância durante novembro e dezembro, quando os modelos climáticos projetam o maior aquecimento das águas do Pacífico.

A partir de janeiro de 2027, a tendência apresentada é de enfraquecimento gradual, embora os efeitos atmosféricos do El Niño possam persistir por algum tempo.

Para o Rio Grande do Sul, o principal ponto de atenção não é apenas a possibilidade de um recorde histórico de temperatura no oceano, mas a forma como esse aquecimento poderá influenciar a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas.

No Alto Uruguai, a orientação é acompanhar as atualizações meteorológicas e hidrológicas, especialmente durante períodos de chuva persistente. O eventual recorde de intensidade do El Niño não deve ser interpretado, por si só, como previsão de enchentes ou de impactos extremos na região.

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Fonte: MetSul Meteorologia, com informações sobre projeções climáticas e registros históricos de eventos de El Niño.




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