Eleição do Inter terá candidatos diante de cenário financeiro cada vez mais preocupante
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Eleição do Inter terá candidatos diante de cenário financeiro cada vez mais preocupante

Déficit de R$ 160,1 milhões até julho, transfer bans e necessidade de buscar recursos para fechar o ano ampliam os desafios da próxima gestão

Por José Augusto Piroli da Silva
30/09/2026 12:23
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Os três candidatos à presidência do Inter começam a tomar conhecimento da dimensão do problema que terão pela frente caso sejam eleitos. Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino disputarão a sucessão de Alessandro Barcellos entre novembro e dezembro, em um cenário financeiro que já é preocupante e poderá se tornar ainda mais grave se o time for rebaixado para a Série B. A próxima administração terá de encontrar soluções para uma situação que se deteriorou ao longo dos seis anos da atual gestão e que exigirá dinheiro e criatividade para ser enfrentada.

Os quatro movimentos políticos que dão sustentação à administração Barcellos não lançarão candidato próprio, em razão dos resultados considerados ruins dentro e fora de campo. A oposição terá três nomes na disputa. O primeiro turno será realizado em 9 de novembro, exclusivamente com os conselheiros. Os dois candidatos mais votados avançarão para o segundo turno, marcado para 12 de dezembro, dez dias depois do encerramento do Campeonato Brasileiro, quando os associados também participarão da escolha. Roberto Melo tentou antecipar a segunda votação, mas o pedido foi rejeitado pelo Conselho Deliberativo.

A situação financeira é aterradora. A dívida do Inter deverá ultrapassar R$ 1 bilhão em dezembro, em razão do acúmulo de déficits. O balancete de janeiro a julho, encaminhado aos conselheiros nessa terça-feira, aponta um resultado negativo de R$ 160,1 milhões. O número já seria expressivo isoladamente, mas ganha uma dimensão ainda maior quando comparado com a previsão orçamentária para o período: R$ 109,3 milhões. A diferença é de R$ 50,8 milhões além do que havia sido projetado.

A redução das receitas também comprometeu diretamente o caixa. O Inter vem encontrando dificuldades para manter os salários dos jogadores em dia. Neste momento, não existem valores pendentes com o elenco porque o empresário Delcir Sonda fez uma doação de R$ 20 milhões ao clube no mês passado. O recurso permitiu solucionar o problema imediato, mas não resolveu a falta de dinheiro. Em reunião com os candidatos no domingo à noite, Barcellos informou que serão necessários aproximadamente R$ 140 milhões adicionais para que o clube consiga concluir a temporada.

O Inter sequer pode contratar, pois tem dois transfer ban impostos pela Fifa, relacionados às dívidas pelas contratações de Juninho, junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e Ramon, do Olympiacos, da Grécia. Os dois débitos somam 700 mil euros, aproximadamente R$ 4,1 milhões. O problema, porém, não termina nesses processos. Existem outras cinco ações em tramitação na Fifa que envolvem, juntas, cerca de 6,4 milhões de euros, ou aproximadamente R$ 38 milhões. As decisões ainda são aguardadas e podem resultar em novas restrições ao clube.

Diante desse quadro, o presidente que assumir o Inter em janeiro terá, antes de pensar na contratação de jogadores, a necessidade de encontrar recursos para quitar compromissos que já estão vencidos ou que podem gerar novas punições. A montagem do elenco, portanto, ficará condicionada à capacidade de reorganização financeira e à liberação dos impedimentos existentes.

O risco de rebaixamento torna a equação ainda mais complicada. Na Série B, o Inter teria uma redução drástica nas receitas provenientes dos direitos de televisão, que hoje estão próximas de R$ 180 milhões por ano e poderiam cair para cerca de 10% desse valor. Também haveria impacto sobre as receitas com associados e premiações. Ao mesmo tempo, o clube poderia ter de desembolsar valores para rescindir contratos com jogadores do atual elenco. Nesse cenário, a próxima administração começaria o trabalho diante de uma perda significativa de receitas e de despesas que permaneceriam elevadas, criando um quadro de insolvência financeira.

Fonte: Correio do Povo




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