Mais de 40 aeronaves já saíram de Passo Fundo com doações
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Mais de 40 aeronaves já saíram de Passo Fundo com doações

Por Alessandra Staffortti
07/05/2024 07:39
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A mobilização de doações já transformou Passo Fundo em um polo para a distribuição de doações ao RS. Enquanto a população destina alimentos e itens de limpeza em campanhas na cidade, empresários emprestam aeronaves para transportar ajuda aos municípios castigados pela chuva.

Só no domingo (5), 12 aviões e quatro helicópteros fizeram 31 voos e distribuíram oito toneladas de alimentos, conforme levantamento da Defesa Civil. Na segunda-feira (6), foram 16 voos. Até o momento, 30 aeronaves foram cadastradas para auxiliar no envio de donativos.

Os voos partem de três pontos da cidade: Aeroporto Lauro Kortz (aviões e helicópteros), Centro de distribuição do atacarejo Compre Mais (somente helicópteros) e Aeroclube de Passo Fundo (aviões e helicópteros). Também há voos saindo do Aeroporto Comandante Kraemer, em Erechim, onde decolam tanto aviões quanto helicópteros. A operação é coordenada pelo gabinete de crise instalado em Passo Fundo, que está interligado diretamente à chefia estadual.

— Temos duas ações concomitantes ocorrendo simultaneamente aqui e em Porto Alegre, onde a operação é voltada para o resgate das pessoas. Em Passo Fundo, o apoio logístico é aéreo e terrestre para a chegada dos donativos e suprimentos as regiões atingidas — pontua o coordenador da defesa civil regional de Passo Fundo, tenente-coronel Darci Bugs.

Conforme o superintendente do aeroporto, Waldecy Rodrigues, as doações vão para os municípios que têm logística para distribuição, como Canoas e Santa Cruz. Na segunda-feira, o prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida, fez contato com a Infraero, governo do Estado e companhias aéreas para colocar a cidade à disposição e sugerir que o Aeroporto Lauro Kortz sirva como alternativa a Porto Alegre para receber os voos com destino ao RS.

Com o fechamento do Aeroporto Salgado Filho até 30 de maio, em Porto Alegre, o terminal de Passo Fundo é o maior em operação no RS no momento. Segundo Almeida, o município pode dar apoio logístico para serviços do terminal e tem uma equipe no local para auxiliar no que for necessário.

— Estamos agindo de maneira organizada, prontos para auxiliar conforme a necessidade da Defesa Civil e do Governo do Estado — afirmou.

O envio de aeronaves aos locais afetados deve reduzir a partir da abertura e restabelecimento da segurança das rodovias. No lugar ficarão as viagens de caminhões, que têm capacidade de transportar carga maiores aos locais prejudicados. A Defesa Civil organiza o envio de mantimentos conforme a necessidade dos três centros de distribuição montados pelo governo do Estado, em Santa Maria, Lajeado e Santa Cruz.

Ajuda privada

Uma parte importante da ajuda vem de empresários que emprestaram aeronaves para a entrega de doações. Dono de uma rede de motéis, o empresário Patrick Kirinus disponibilizou um avião monomotor Corisco para auxiliar no transporte de médicos e suprimentos. A aeronave fez quatro viagens durante o domingo e deve fazer mais duas nesta segunda-feira para Canoas, na Região Metropolitana.

— Estamos fazendo o mínimo. O país vive umas piores situações da história e é nosso dever prestar toda ajuda possível. Fico pensando em todos os médicos que levamos, em todos os atendimentos que ele fez e as vidas que conseguiu salvar. É gratificante ter uma pequena parcela de ajuda nisso — disse.

O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, também reforçou a corrente de solidariedade ao emprestar um avião que fez quatro voos a Santa Cruz levando donativos, medicamentos e suprimentos.

— A aeronave segue à disposição das autoridades. Na segunda-feira, com o restabelecimento do tráfego rodoviário, vamos poder aumentar o número de envio através de doações por meio de caminhões. Acho que todos nós temos que fazer uma parte e ajudar da forma como cada um pode — detalha.

O empresário Pedro Brair, da Rede de Farmácias São João, disponibilizou um avião e um helicóptero ao apoio logístico da Defesa Civil para as cidades de Roca Sales, Santa Cruz e Guaíba. Também foram doados mais de 100 mil medicamentos, incluindo cargas de dipirona, ibuprofeno, nimesulida e paracetamol.

— É um momento de solidariedade, em que as comunidades devem se reunir, especialmente as que não foram afetadas, como Passo Fundo. Continuamos à disposição da Defesa Civil para ajudar no que for necessário. Serão doados principalmente medicamentos de uso contínuo, que as pessoas não têm. Como as pessoas perderam seus documentos, fica complicado acessar os medicamentos por meio do programa Farmácia Popular, por isso vamos doar essa medicação à população que precisa de toda a ajuda possível neste momento tão difícil — detalha.

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Fonte:

GZH




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