Técnico se emocionou depois de bater a Inglaterra, de virada, na final da Copa do Mundo
Após a dramática vitória da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, o técnico Lionel Scaloni precisou se esforçar para conter as lágrimas na entrevista coletiva pós-jogo. Com a chance de se tornar o primeiro técnico bicampeão mundial depois de Vittorio Pozzo com sua Itália dos anos 30, o treinador desabafou para os jornalistas. "Vamos dar tudo. Estou sem palavras. É muito difícil... Somos únicos, e não é arrogância, é coração", disse.
Na coletiva de imprensa, o comandante detalhou as decisões táticas que mudaram o jogo e projetou a final contra a Espanha, que terá Lionel Messi como protagonista.
"Quanto mais dificuldade enfrenta, mais esse time joga. Quando vemos sangue, vamos até o fim. Se a bola não entrasse e perdêssemos por 1 a 0, eu estaria contente igual, porque lutamos. A partir do gol de empate, foi uma demonstração de tudo o que queremos para o futebol: não é apenas jogar bonito", avaliou.
De acordo com o site Olé, Scaloni justificou as alterações estratégicas e a ausência de titulares históricos na escalação inicial. "Dói deixar o Rodrigo (De Paul) no banco. Me identifico com o jogo dele, eu era assim. Mas fazemos o que a partida pede. Não escalo ou barro jogadores pelo que já nos deram. Otamendi e Di María já foram suplentes. Busco o melhor para o grupo, e eles entendem. Lautaro entra e faz gols. Sem os jogadores eu não vou a lugar nenhum, não sou mago", afirmou.
Ao comparar o sentimento com a histórica semifinal de 1986, o treinador colocou o triunfo atual em outro patamar. "Em 1986 eu era muito pequeno. Hoje, achávamos que o jogo contra o Egito tinha sido o ápice, mas este superou, pela atmosfera e por ser uma semifinal. É justo que comemorem, são momentos de plena felicidade. Amanhã já começa a 'azia', o foco no que vem pela frente."
"Foi o nosso ponto de virada. Alguns subiram ao avião com 50% das condições, mas confiamos neles e decidimos ir à luta. Eles são 'índios', no bom sentido. Criados em ambientes sem medo, competem desde crianças. No fim do jogo, Messi, De Paul e Montiel seguravam a bola como se fossem garotos de oito anos. Não pensam na eliminação, só em jogar."
Scaloni aprendiz
Sobre a decisão contra a Espanha, o técnico destacou a relação pessoal com o país onde reside com sua família e a ligação com o treinador rival, Luis de la Fuente, que foi seu instrutor no curso de treinadores.
"De la Fuente foi meu professor. Conversamos em Doha, após o título em Qatar, e tenho grande admiração por ele. O respeito é máximo, tanto pelo futebol quanto pelo comportamento deles. No domingo tentaremos vencer, mas espero que os espanhóis também desfrutem de Messi. Ele deu muitas alegrias ao futebol de lá e é, sem dúvidas, o maior da história", concluiu.
Fonte: Correio do Povo
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