Muito além da pneumonia: frio intenso no RS traz alerta para riscos de infarto e isolamento social em idosos
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Muito além da pneumonia: frio intenso no RS traz alerta para riscos de infarto e isolamento social em idosos

Especialista alerta para os perigos invisíveis do inverno para pessoas idosas, que vão de riscos cardiovasculares causados pela vasoconstrição ao impacto das dores crônicas na saúde mental.

Por Alessandra Staffortti
17/06/2026 08:54
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Quando as temperaturas despencam, a preocupação imediata com a saúde dos idosos costuma se voltar para as doenças respiratórias, como gripes e pneumonias. No entanto, o inverno esconde perigos muito mais silenciosos e graves para pessoas idosas. O alerta é do professor de Geriatria da Afya Porto Alegre, Dr. Milton Santos, que chama a atenção para o impacto do frio em duas frentes críticas: o maior número de eventos cardiovasculares e o isolamento social causado e fomentado pelas dores crônicas.

O elo entre a dor articular e a saúde mental As queixas de "dor nos ossos" e nas articulações não são mero clichê de inverno. O frio contrai os músculos e tecidos que compõem as articulações, gerando dor que se cronifica. Esse fator, segundo o especialista, gera um efeito cascata que afeta diretamente o comportamento e o emocional do idoso.

"O inverno traz muitos riscos para os idosos relacionados às dores articulares, pois tendemos a ficar mais imóveis nesta época. O frio rigoroso provoca uma redução no calibre dos vasos sanguíneos, fazendo com que menos sangue circule pelo corpo, especialmente nas extremidades e nas articulações. Isso aumenta a sensibilidade e a dor, gerando uma dificuldade real de mobilidade", explica o Dr. Milton Santos.

Vasoconstrição: o perigo real de infartos e AVCs

Outro risco crítico e pouco conhecido fora dos consultórios é a resposta do sistema circulatório às baixas temperaturas. Para manter o corpo aquecido, o organismo realiza a vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos), o que eleva a pressão arterial e sobrecarrega o coração, tornando o inverno uma época perigosa para a população idosa.

"Essa redução de calibre dos vasos mediada pelo frio não acontece apenas nas articulações; pode ser adjuvante causador de infarto do coração e de AVC (acidente vascular cerebral ) no inverno", adverte o geriatra. "Com o avançar da idade, é natural que o idoso apresente algum grau de depósito de gordura nas artérias (aterosclerose). Quando somamos isso ao efeito do frio, o qual estreita os vasos sanguíneos, pode ocorrer por obstrução na circulação do coração e do cérebro podem ocorrerna circulação do coração ou cerebral. Por isso, as frequências de infartos e derrames disparam nos meses de inverno."

Desidratação silenciosa e os efeitos do frio

Minimizar esses riscos também passa pela mesa. No inverno, a sensação de sede, que já é reduzida para pessoas idosas, diminui drasticamente, abrindo margem para uma desidratação silenciosa que potencializa os riscos circulatórios.

"O idoso naturalmente já sente menos sede e tem uma tendência à desidratação relativa, muitas vezes agravada pelo uso de medicamentos como os diuréticos. Se ele toma pouca água, tem aterosclerose e é submetido ao frio rigoroso, os riscos de um evento grave aumentam drasticamente", pontua o médico.

Como prevenção, o Dr. Milton sugere estratégias práticas e locais: "Precisamos reforçar o consumo de líquidos de forma atrativa, usando água, sucos, chás ou caldos quentes e sopas, que cumprem a função dupla de hidratar e aquecer o corpo. Além disso, as famílias devem garantir que eles usem bastante agasalho, mantenham a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel para evitar gripes e pneumonias e evitem manter os ambientes totalmente fechados e sem circulação de ar”.

Ele alerta que o impacto vai além do físico: "Nos meses frios, a iluminação é menor, o dia anoitece mais cedo e as pessoas tendem a não querer sair de casa. Esse isolamento social pode afetar negativamente a saúde mental, agravando tanto a função cognitiva quanto a saúde física. É muito comum que idosos isolados e tristes desenvolvam ou piorem quadros de dores crônicas."




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