Impasse contábil sobre recompra de direitos de TV trava análise das contas pelo Conselho Deliberativo
Faltando apenas dez dias para a reunião do Conselho Deliberativo, convocada para analisar o balanço financeiro de 2025, o Inter enfrenta um atraso significativo no processo de elaboração e avaliação das contas. O cenário levanta a possibilidade concreta de descumprimento tanto do estatuto do clube quanto das leis que regem o esporte no Brasil, que determinam a análise e a publicação dos números até, no máximo, o fim de abril de cada ano.
A origem do impasse está na forma como será contabilizada a recompra de 10% dos direitos de transmissão realizada pelo clube em 2025. A indefinição sobre o tratamento contábil da operação, que custou R$ 109 milhões, travou o avanço dos trabalhos.
O Conselho Fiscal recebeu os demonstrativos financeiros referentes ao exercício de 2025 somente nessa quarta-feira, com mais de duas semanas de atraso. Em condições normais, o órgão teria cerca de 30 dias para examinar os dados e emitir um parecer recomendando a aprovação ou rejeição das contas. Na sequência, o material será distribuído aos conselheiros, permitindo uma análise prévia antes da votação. Com o cronograma comprometido, essas etapas tendem a ser aceleradas ou, em último caso, a reunião marcada para o dia 27 de abril poderá ser remarcada.
Nos bastidores, a direção liderada pelo presidente Alessandro Barcellos, em conjunto com outros clubes que também realizaram operações semelhantes, como Athletico-PR e Fluminense, buscou um parecer técnico junto ao Conselho Federal de Contabilidade. O objetivo é definir o enquadramento correto da recompra no balanço.
A definição é considerada crucial porque pode alterar de forma significativa o resultado financeiro do clube. Dependendo do critério adotado, o Inter poderá apresentar um leve superávit ou um déficit expressivo. Essa diferença tem implicações relevantes, especialmente diante das exigências do Profut e da Lei Geral do Esporte, que estabelecem regras mais rígidas de controle financeiro e preveem, inclusive, a responsabilização de dirigentes em casos de resultados negativos elevados.
Além disso, a legislação obriga entidades esportivas que mantêm atletas profissionais a divulgar suas demonstrações financeiras em seus próprios sites até o fim de abril. O descumprimento dessa exigência pode acarretar sanções ao presidente, incluindo inelegibilidade por até cinco anos para cargos em entidades esportivas, além de comprometer a permanência do clube no Profut, programa que permite o refinanciamento de dívidas com o governo.
A recompra dos direitos de televisão representa, na prática, uma reversão parcial de uma operação realizada anteriormente. Em 2024, o Inter havia vendido 20% desses direitos a investidores da Futebol Forte União, em um acordo válido por 50 anos, que garantiu uma entrada de R$ 218 milhões e impactou positivamente o balanço daquele ano. Ao readquirir metade desse percentual no ano passado, o clube abriu mão de receber R$ 109 milhões agora, mas garantiu um volume maior de receitas no futuro.
Fonte: Correio do Povo
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