Atraso no balanço de 2025 coloca Inter sob risco de descumprir prazos legais
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Atraso no balanço de 2025 coloca Inter sob risco de descumprir prazos legais

Impasse contábil sobre recompra de direitos de TV trava análise das contas pelo Conselho Deliberativo

Por José Augusto Pirolli da Silva
17/04/2026 12:21
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Faltando apenas dez dias para a reunião do Conselho Deliberativo, convocada para analisar o balanço financeiro de 2025, o Inter enfrenta um atraso significativo no processo de elaboração e avaliação das contas. O cenário levanta a possibilidade concreta de descumprimento tanto do estatuto do clube quanto das leis que regem o esporte no Brasil, que determinam a análise e a publicação dos números até, no máximo, o fim de abril de cada ano.

A origem do impasse está na forma como será contabilizada a recompra de 10% dos direitos de transmissão realizada pelo clube em 2025. A indefinição sobre o tratamento contábil da operação, que custou R$ 109 milhões, travou o avanço dos trabalhos.

O Conselho Fiscal recebeu os demonstrativos financeiros referentes ao exercício de 2025 somente nessa quarta-feira, com mais de duas semanas de atraso. Em condições normais, o órgão teria cerca de 30 dias para examinar os dados e emitir um parecer recomendando a aprovação ou rejeição das contas. Na sequência, o material será distribuído aos conselheiros, permitindo uma análise prévia antes da votação. Com o cronograma comprometido, essas etapas tendem a ser aceleradas ou, em último caso, a reunião marcada para o dia 27 de abril poderá ser remarcada.

Nos bastidores, a direção liderada pelo presidente Alessandro Barcellos, em conjunto com outros clubes que também realizaram operações semelhantes, como Athletico-PR e Fluminense, buscou um parecer técnico junto ao Conselho Federal de Contabilidade. O objetivo é definir o enquadramento correto da recompra no balanço.

A definição é considerada crucial porque pode alterar de forma significativa o resultado financeiro do clube. Dependendo do critério adotado, o Inter poderá apresentar um leve superávit ou um déficit expressivo. Essa diferença tem implicações relevantes, especialmente diante das exigências do Profut e da Lei Geral do Esporte, que estabelecem regras mais rígidas de controle financeiro e preveem, inclusive, a responsabilização de dirigentes em casos de resultados negativos elevados.

Além disso, a legislação obriga entidades esportivas que mantêm atletas profissionais a divulgar suas demonstrações financeiras em seus próprios sites até o fim de abril. O descumprimento dessa exigência pode acarretar sanções ao presidente, incluindo inelegibilidade por até cinco anos para cargos em entidades esportivas, além de comprometer a permanência do clube no Profut, programa que permite o refinanciamento de dívidas com o governo.

A recompra dos direitos de televisão representa, na prática, uma reversão parcial de uma operação realizada anteriormente. Em 2024, o Inter havia vendido 20% desses direitos a investidores da Futebol Forte União, em um acordo válido por 50 anos, que garantiu uma entrada de R$ 218 milhões e impactou positivamente o balanço daquele ano. Ao readquirir metade desse percentual no ano passado, o clube abriu mão de receber R$ 109 milhões agora, mas garantiu um volume maior de receitas no futuro.

Fonte: Correio do Povo




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