Denúncia aponta violência sistemática com tortura, agressões e negligência em clínica de reabilitação Reviver
A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e tornou sete pessoas rés em um processo criminal que investiga casos de tortura e homicídio ocorridos na Clínica Reviver, localizada na zona rural de Estação. A decisão foi assinada na última terça-feira (03), pela juíza Daniela Conceição Zorzi, titular da 1ª Vara Judicial de Getúlio Vargas.
Entre os réus estão duas mulheres, que são mãe e filha, e cinco homens. De acordo com o MPRS, os crimes ocorreram entre o final de 2025 e o início de 2026, culminando com a morte do interno Marcos Bohn Nedel, de 45 anos, em janeiro deste ano, fato que motivou o início das investigações.
Conforme apurado durante a fase de Inquérito Policial, o homem teria sido espancado por vários dos acusados em um dos quartos da clínica. Laudos periciais indicaram que a causa da morte foi hemopneumotórax, ou seja, acúmulo de sangue e ar no tórax, resultado direto das agressões.
Ainda de acordo com a denúncia, os internos eram submetidos a agressões sistemáticas, tendo sido utilizados objetos como pedaços de madeira, bambu, fios elétricos e luvas de boxe. Ameaças, disparos de espingarda de pressão e dopagem forçada também foram relatados como parte de um padrão de tortura empregado na clínica para manter o controle e punir os internos.
Responsabilidades dos réus
De acordo com o Ministério Público, os cinco homens que se tornaram réus participaram ativamente das agressões físicas. Já as duas mulheres, gerentes da instituição (mãe e filha), sabiam das ações violentas e as incentivavam. A filha, que gerenciava a clínica, é apontada como principal responsável pela organização das atividades do local.
Os sete foram denunciados por crimes como homicídio qualificado, tortura qualificada, associação criminosa, fraude processual e coação no curso do processo. Durante a investigação, surgiram indícios de que algumas dessas pessoas teriam tentado apagar vestígios de um dos crimes, limpando o local e destruindo os pertences da vítima, dificultando o trabalho policial.
Réu segue foragido
Seis dos acusados, entre eles, mãe e filha, já estão presos. Até o momento, apenas um homem segue foragido.
Na época em que os crimes foram apurados, 31 pacientes estavam internados no local. Parte deles realizou exames periciais, enquanto três em situação de internação compulsória foram transferidos para outra instituição.
Jornalismo Rádio Tapejara
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