Os principais modelos climáticos apontam uma sequência de até 14 dias sem chuvas no Rio Grande do Sul. O mês de fevereiro está encerrando com pontos de Passo Fundo oscilando com volumes totais de chuvas entre 70 a 100 milímetros, índice baixo frente a um déficit hídrico registrado em janeiro.No entanto, as projeções de mais dias sem chuva preocupam os produtores rurais diante do agravamento das perdas em produtividade. Sobre este assunto a Uirapuru conversou com Oriberto Adami, supervisor microrregional e responsável pela área de Culturas da EMATER.
Segundo Adami, embora a previsão indique um período prolongado de tempo seco, é preciso cautela. Ele ressalta que se trata de uma estimativa meteorológica que pode sofrer alterações, especialmente com a entrada de frentes frias.
Atualmente, o cenário nas lavouras é distinto entre as culturas. No caso do milho, que já está em fase final de ciclo e maturação fisiológica, a chuva recente teve pouca interferência na produtividade. A expectativa é de uma colheita considerada satisfatória, já que grande parte das áreas está próxima do ponto de colheita.
Já a soja enfrentou dificuldades mais intensas nos últimos 30 dias, com períodos de estiagem em algumas regiões. Ainda não é possível quantificar os prejuízos, mas houve impacto. As chuvas registradas nas últimas semanas, no entanto, interromperam o ciclo de perdas e favoreceram uma recuperação importante da cultura, que em sua maioria está na fase de enchimento de grãos.
Adami explica que, se a previsão de mais 15 dias sem chuva se confirmar, pode haver problemas como má formação de grãos e redução de peso, o que interfere diretamente na produtividade. Ele destaca que as precipitações não foram uniformes na região, variando entre 40 e até 150 milímetros em diferentes localidades, o que pode gerar situações distintas de estresse hídrico.
Mesmo com a preocupação, o supervisor avalia que não se projeta, neste momento, uma perda extrema de produtividade. A média considerada normal para a safra gira em torno de 3.600 a 3.700 quilos por hectare. Para que esse patamar seja alcançado, no entanto, será fundamental a ocorrência de chuvas regulares até pelo menos meados de março.
Ele alerta que, como a soja está entrando em final de ciclo em várias áreas, um período prolongado de estiagem agora pode causar danos irreversíveis, mesmo que volte a chover posteriormente.
Em relação ao manejo, os produtores retomaram nos últimos dias a aplicação de fungicidas para controle de doenças como ferrugem e oídio. Durante o período seco, esse tipo de tratamento ficou prejudicado, inclusive pela dificuldade de absorção dos produtos. Agora, muitos agricultores estão colocando em dia essas aplicações, consideradas importantes para preservar o potencial produtivo.
Adami reforça que os próximos dias serão decisivos para consolidar o desempenho da safra na região. A expectativa é de que a previsão mude e que as chuvas retornem de forma regular, garantindo melhores condições para o encerramento do ciclo das lavouras.
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Fonte:
Uirapuru
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