Óculos que transforma textos em áudio apoia ensino de crianças com deficiência visual em Carazinho
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Óculos que transforma textos em áudio apoia ensino de crianças com deficiência visual em Carazinho

04/04/2024 09:54
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Mesmo cego, o pequeno Sérgio Micael Sampaio, nove anos, conta entusiasmado sobre os livros e revistas que leu. A habilidade é possível com ajuda de um óculos capaz de converter textos em áudio com ajuda da inteligência artificial (IA), disponibilizado na escola onde ele estuda em Carazinho, município de 61,8 mil habitantes do norte gaúcho.

Desde o começo do ano letivo, a cidade conta com três óculos especiais do modelo Orcam que, além de texto, também são capazes de identificar formas, cores, cédulas de dinheiro e reconhecer até 150 rostos cadastrados. Todas as funções são traduzidas em áudio para o português e inglês e não é preciso conectar os óculos à internet: eles funcionam offline.

O dispositivo foi criado por uma empresa de Israel e importado pelo município gaúcho justamente para auxiliar alunos com deficiência visual e cegueira. Com investimento de R$ 54 mil, o objetivo é facilitar a leitura, uma vez que ler em braile não é tarefa fácil, ainda mais para as crianças recém-alfabetizadas, como é o caso de Sérgio Micael.

— Os óculos facilitam muito porque ele pode indicar no material e o óculos vai fazendo toda a leitura pra ele. O que faltava eram ferramentas para facilitar (a leitura) e agora ele tem isso — conta a professora Ana Lucia Arnold, que acompanha o aluno diariamente.

Quem também usa o dispositivo é Benício Espíndola Kemerich, quatro anos, que também tem deficiência visual. O menino usa os óculos no Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (Cemaee) e o aparelho tem sido fundamental para lhe dar mais segurança e autonomia. Antes, era comum vê-lo chorar pedindo pela mãe.

— Com os óculos com reconhecimento facial, eu mesmo me aproximo e ele (o óculos) já fala "diretor Marcelo", "professora Sabrina", "merendeira Rose". Com isso, o Benício está se sentindo seguro também dentro do ambiente escolar, os óculos já trouxeram esse benefício — disse o diretor do centro Marcelo Vieira.

Não substitui o braile, mas complementa adaptação

O gerente de marketing e comunicação da empresa criadora da tecnologia no Brasil, Cleiton de Sousa, ressalta que os óculos não foram desenvolvidos para substituir o braile, mas sim para ser um complemento às pessoas com deficiência visual.

— O braile tem importância fundamental para a alfabetização e produção de texto às pessoas cegas. Mas o óculos Orcam vem justamente para oferecer esse complemento, para que essas pessoas possam ter acesso a materiais que ainda hoje não estão disponíveis em braile — pontuou.

Além dos dois dispositivos usados por Sérgio e Benício, Carazinho também investiu em um terceiro dispositivo que fica na biblioteca municipal. Lá, está disponível para qualquer pessoa com deficiência visual que deseje ler no local. Mas a Secretaria Municipal de Educação não descarta comprar novos óculos caso mais alunos com deficiência visual frequentem a rede municipal.

— A partir do momento que surgirem novos alunos, disponibilizaremos também novas tecnologias prontamente — ponutou a secretária de educação, Sandra Denise Bandeira Guerra.

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Fonte:

GZH




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