08 maio 2022 | 08h22
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'Doença do silicone': entenda o termo popular usado para problemas no uso de prótese nos seios

O caso da jovem Giovanna Coltro, que relatou alívio após a retirada da prótese de silicone, aponta para mais um caso de paciente que sofreu com a chamada "Doença do silicone". Mas o que é este termo? Existe esse diagnóstico médico específico? A doença tem relação direta com a "Síndrome Autoimune-inflamatória Induzida por Adjuvante (Asia)"?

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que "Doença do Silicone" é um termo popular cunhado sobretudo pelos próprios pacientes para descrever uma série de problemas associados aos implantes. Não é um nome técnico, embora sua utilização seja bastante comum.

Já a Síndrome Autoimune-inflamatória Induzida por Adjuvante é uma condição rara, um diagnóstico médico específico de uma doença que pode ser consequência do implante mamário. A síndrome pode ou não ter melhora com o explante, a retirada das próteses.

A questão-chave em torno do tema é que, todo implante, não somente o caso do silicone, irá causar uma reação local do organismo. Por isso, segundo os especialistas, uma avaliação médica multidisciplinar é importante tanto no pré como no pós-operatório.

A "doença do silicone"

O cirurgião plástico, mestre em Direito à Saúde e secretário nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Eugenio Gonzalez Cação, explicou ao g1 que o termo 'Doença do Silicone' se refere a um conjunto de sinais e sintomas causados pelo uso do silicone, apesar de não ser um termo técnico.

Segundo o especialista, o termo qualifica várias patologias relacionadas ao uso de silicone em próteses ou líquidos injetáveis.

Na lista das situações que costumam ser encaixadas no termo "doença do silicone", a mais comum é a contratura capsular, um das principais causas de trocas de implantes. Ela acontece quando a cápsula (a cicatriz formada pelo implante) fica em contato com o líquido do silicone, mudando o formato da mama e causando dor, em alguns casos.

Outro problema é ocorrência de um tipo de câncer como o linfoma anaplásico de células grandes (ALCL), que é bastante raro: estima-se que um caso acontece a cada 500 mil mulheres com próteses.

Ele é causado também pelo acúmulo tardio do seroma e os principais sintomas são um inchaço persistente, a presença de massa ou dor constante na área do implante mamário. Alguns pacientes também relatam um nódulo sob a pele ou a contratura capsular.

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a maioria dos pacientes é tratada apenas com a remoção da prótese e da cápsula, sem a necessidade de quimioterapia ou radioterapia.

Há também o 'gel bleeding', que é o extravasamento do silicone interno pelas camadas externas da prótese. Gonzalez diz que a condição era mais frequente quando as próteses utilizadas eram lisas e com menos camadas. "Hoje, diminuímos muito este fenômeno, pois o silicone é mais espesso, e existem várias camadas externas nas próteses".

Para a mastologista Maira Caleffi, tendo em vista os desafios e os riscos que o procedimento pode ocasionar para o corpo humano, a questão-chave em torno do tema é o acompanhamento multidisciplinar.

Por isso, Caleffi lembra que a colocação da prótese "sempre merece um cuidado", e que desde questões nutricionais até uma avaliação de risco genético do paciente precisam estar envolvidas no acompanhamento profissional todos os casos.

"A partir do momento que uma pessoa faz um implante mamário ela se torna uma paciente de um mastologista", diz.

Síndrome relacionada ao uso da prótese

O primeiro registro da Síndrome Autoimune-inflamatória Induzida por Adjuvante (Asia) na literatura médica é de 2011. Ela é uma doença autoimune e está relacionada à presença do implante mamário. Ou seja, pode ser uma consequência de uma reação inflamatória do organismo à presença do silicone.

"Uma síndrome é uma junção de sinais e sintomas de uma doença. Nesse caso, doenças autoimunes [quando o nosso sistema de defesa ataca células saudáveis]", explica Fernando Amato, cirurgião plástico, especialista em reconstrução mamária.

De acordo com os especialistas ouvidos pelo g1 os sintomas são muito inespecíficos e variados: dores nas mamas, fraqueza muscular, dores articulares, cansaço, sonolência e distúrbios do sono, perda de foco, falta de equilíbrio, espasmos musculares, perda de memória, perda de força, febre e boca seca.

O que os especialistas esclarecem é que a doença é extremamente rara e pode ou não ter melhora com o explante, a retirada das próteses. Ter os sintomas não necessariamente é um problema relacionado ao silicone -- a resposta correta será dada apenas após consulta com um médico especialista, um mastologista.

"Às vezes o paciente fala: eu estou com cansaço, com perda de cabelo, minha unha está quebradiça. Tira o implante e não muda nada. Isso porque precisamos investigar muitas outras causas", diz o cirurgião.

Amato explica que esses sinais são muito comuns dependendo da faixa etária das mulheres que realizaram o procedimento. Podem ser problemas relacionados à menopausa ou até mesmo uma disfunção da tireoide (que pode causar hipertireoidismo ou hipotireoidismo).

Por isso, o diagnóstico da doença é por exclusão. Diversas possíveis causas são investigadas e somente após serem descartadas essas outras doenças ou condições que o paciente recebe o diagnóstico. Não há um exame específico que identifique a ASIA, ressalta Amato.

Maira Caleffi, chefe do serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, acrescenta que, nesses casos, a indicação é a ultrassonografia associada, em alguns casos, à ressonância magnética, procedimentos que irão alertar para a presença de uma camada de líquido ao redor do implante, o chamado seroma.

Os seromas acontecem depois da cirurgia e isso é comum geralmente logo após o procedimento. Agora casos que acontecem mais tarde, não.

"Uma mulher que não tem nada e depois começa com essa produção de líquido, é para desconfiar," diz a médica.

Caso haja a manifestação, mesmo que "muito, muito, muito rara", é possível fazer a retirada da prótese.

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Fonte:

G1

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