No terceiro jogo à frente do time, técnico comentou a dificuldade de lidar com o vestiário atual recheado de jogadores de fora do Brasil
Na semana passada, algumas pistas haviam sido dadas. Se contra o Remo Renato Portaluppi deixou no ar a dúvida sobre o alvo das críticas feitas em Belém do Pará, onde afirmou "é muita coisa para corrigir”, após o Gre-Nal, a incerteza ficou reduzida. Na explosiva entrevista coletiva depois do clássico, o treinador deixou claras algumas insatisfações, entre elas o número de estrangeiros no elenco.
"Chega num canto tem três, quatro falando uma língua. Chega em outro, tem outros três, quatro falando outra língua. Até os caras se entenderem...", disse o técnico citando o caso de Amuzu, egresso da Bélgica. "Ele está aqui há quanto tempo? Um ano e meio, um ano? Ele não fala o português, e aí? Tem que estar sempre o intérprete do lado dele. Você acha que é fácil?", desabafou.
Antes mesmo de voltar ao Grêmio, Renato sabia que não iria encontrar o ambiente das passagens anteriores, não somente pela situação do time, mas pela formação do departamento de futebol. O atual vice Rafael Lima foi um dos seus críticos publicamente, em 2024 com diversas publicações em redes sociais. Com o executivo Paulo Pelaipe não existia relação anterior, embora saiba-se que eles não pensem da mesma forma.
Único a ter trabalhado com o treinador anteriormente, o presidente Odorico Roman goza da confiança do treinador. E talvez por isso, o dirigente preferiu contemporizar a respeito do tema e da manifestação do comandado:
"Esse grupo atual do Grêmio, os estrangeiros que vieram, têm alguns que vieram até antes da gestão que nós sucedemos. Então não é uma construção da nossa gestão. A manifestação do Renato é a opinião dele sobre a formação do grupo, as dificuldades que ele sente. Mas nós estamos trabalhando, o grupo é esse e vamos em frente".
O número de estrangeiros vai cair de nove para oito em 2027 e será reduzido gradativamente até chegar a cinco jogadores em 2023. Antes mesmo da mudança da regra para o ano que vem, o assunto ganhou destaque, uma vez que é um cenário de um novo futebol e um desafio para quem nele trabalha.
"Vejo como perigosa a questão cultural. Não há aqui vestiários multinacionais. Isso é algo novo e um desafio para clubes, treinadores e jogadores. É uma novidade para todo mundo o que é muito comum na Europa, com vestiários cheios de nacionalidades e culturas diferentes", opina Leonardo Bertozzi, comentarista da ESPN.
Fonte: Correio do Povo
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