Gaúcho que morou de graça em hotel nos EUA diz ser líder de tribo e
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Gaúcho que morou de graça em hotel nos EUA diz ser líder de tribo e "Cristóvão Colombo Segundo"

01/04/2024 09:07
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Em entrevista ao programa Fantástico, o gaúcho conhecido como Mickey Barreto, que viveu durante cinco anos de graça no hotel New Yorker, nos Estados Unidos, afirma ser líder de uma tribo indígena brasileira e se intitula como "Cristóvão Colombo Segundo"

— Eu sou Mickey Ibrahim Muniz Barreto. Eu ocupo o cargo de Cristóvão Colombo Segundo, Almirante dos Mares, Oceanos, e eu também sou o líder da tribo indígena brasileira chamada 'A Bela Nação do Sol e da Lua' — diz Mickey.

Entenda o caso

O brasileiro, que, na verdade, se chama Marcos Aurélio Canuto Muniz Barreto, conseguiu compreender uma lei complexa — e se beneficiar dela.

Em junho de 2018,ele se hospedou no quarto 2565 do hotel New Yorker junto com o namorado. Barreto pagou, na ocasião, por uma única noite, US$ 200,57 (ou cerca de R$ 1.000). No entanto, ele não foi embora na manhã seguinte. Ele viveu no hotel pelos cinco anos seguintes e sem nunca pagar um centavo a mais.

Para Mickey, o namorado tem um título nobre, é o "Dom Fernando", que é proprietário dos Estados Unidos e do Canadá, enquanto Barreto se diz dono do resto das Américas. Tudo isso faz parte de um livro que ele publicou e disponibilizou na internet.

Aprovada em 1969, a legislação criou um sistema de regulamentação de aluguéis em toda a cidade. E incluiu uma série de quartos de hotel, especificamente os construídos antes daquele ano e alugados por menos de US$ 88 (ou cerca de R$ 440) por semana até maio de 1968.

De acordo com a lei, um hóspede poderia se tornar residente permanente se solicitasse um aluguel com desconto. E com os mesmos serviços oferecidos a um hóspede regular. O quarto torna-se assim, essencialmente, um apartamento subsidiado dentro de um hotel.

De acordo com os documentos judiciais, Barreto foi até a gerência entregar uma carta dizendo que queria alugar o 2565 por seis meses. O pedido foi negado e ele foi informado de que precisava desocupar o quarto até o meio-dia caso não fosse pagar por mais uma diária. O gaúcho, então, saiu dali direto para o Tribunal de Habitação da Cidade de Nova York onde processou o hotel.

Em uma declaração manuscrita, Barreto citou leis e um processo judicial anterior ao argumentar que seu pedido de aluguel o tornava automaticamente um “residente permanente do hotel”.

Em audiência no dia 10 de julho, na ausência de representantes do hotel para se opor à ação, o juiz Jack Stoller decidiu a favor de Barreto. Dias depois, uma palavra escrita na decisão chamou a atenção do casal: posse. Barreto recebera um “julgamento final de posse”.

Gaúcho coloca prédio todo em seu nome

Na tarde de 17 de maio de 2019, quase um ano depois de Barreto ter entrado no hotel pela primeira vez, ele foi identificado como "proprietário do New Yorker".

Barreto enviou e-mail para o advogado do hotel exigindo receber informações sobre as finanças da propriedade. E incluiu na mensagem uma alegação: eles lhe deviam US$ 15 milhões em lucros não repartidos.

Pouco tempo depois, o advogado do hotel esteve no tribunal, explicando a situação e implorando a um juiz que emitisse uma ordem para impedir que o brasileiro se apresentasse como proprietário.

Bill Lienhard, advogado que representou muitas vítimas de roubo de títulos em Nova York, disse ter ficado surpreso com a aparente facilidade com que Barreto transferira um hotel de 41 andares em Manhattan para seu nome. Na sua defesa, ele disse que não fez nada de errado. Poucos meses depois, o juiz emitiu uma decisão: “A escritura em questão é forjada, em todos os sentidos”, escreveu.

Barreto havia vencido em dois processos judiciais separados; ele tinha direito a um aluguel estabilizado para um quarto no New Yorker Hotel. Ele tinha acesso ao serviço de quarto, ao serviço de limpeza e a todas as instalações do hotel. Mas ele se recusou a assinar um contrato de aluguel — ou a pagar o aluguel.

A prisão

Em 2023, o proprietário do hotel teve sucesso no tribunal contra ele. Um juiz decidiu a favor do hotel, citando a recusa de Barreto em pagar ou assinar um contrato de aluguel. Ele foi despejado em julho.

O gaúcho foi preso e autuado por 24 acusações — incluindo 14 acusações de fraude — no que os promotores disseram ser um esquema criminoso para reivindicar a propriedade do hotel. Hannan, que Barreto disse não estar envolvido no caso, apesar de ter morado com ele no hotel por quase cinco anos, não foi acusado de nenhum crime.

O brasileiro agora está aguardando julgamento na Suprema Corte do Estado em Manhattan e poderá pegar vários anos de prisão se for condenado. Na sua única ligação após ser detido, ele informou a Casa Branca onde estava e sua situação jurídica. Segundo o New York Times, a Casa Branca não demonstrou qualquer interesse.

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Fonte:

GZH




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