Pressionado após derrota para o Santos, Pezzolano precisa vencer a Chapecoense para permanecer no cargo; nos bastidores, direção discute alternativas para o futebol
Faltando pouco mais de três meses e 12 partidas para o fim da temporada, o Inter tenta se reencontrar em meio à maior crise do ano. O time está mergulhado na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, a torcida perdeu a paciência e os movimentos em busca de uma solução se intensificaram dentro e fora de campo depois da derrota por 3 a 2 para o Santos, domingo, no Beira-Rio.
Na manhã desta terça-feira, o elenco se reapresentou após um dia de folga e iniciou a preparação para o confronto com a Chapecoense, sábado, na Arena Condá. Depois do trabalho, a saída dos jogadores do CT Parque Gigante foi acompanhada por protestos. Alguns integrantes das principais torcidas organizadas cobraram o grupo e os dirigentes. Para evitar problemas, os atletas deixaram o local com o auxílio da Brigada Militar.
Enquanto o elenco trabalhava, os bastidores do clube permaneciam movimentados. Na véspera, um dia depois da derrota para o Santos, o presidente Alessandro Barcellos reuniu alguns dos principais atores políticos do Inter. Participaram do encontro, além do mandatário e de outros atuais dirigentes e ex-dirigentes, os três principais candidatos à presidência na eleição marcada para o final do ano: José Alfredo Amarante, Roberto Melo e Leonardo Aquino.
Barcellos expôs novamente as dificuldades enfrentadas pela administração. Falou sobre a situação financeira, a impossibilidade de contratar jogadores em razão do transfer ban imposto pela Fifa e os obstáculos para manter os salários do elenco em dia. Também ouviu sugestões dos participantes, principalmente quando a discussão avançou para o futebol.
SIEGMANN E CLEMER
Uma das propostas foi a entrada de Roberto Siegmann na direção como vice-presidente de futebol, cargo que está vago desde o ano passado. Convidado por Leonardo Aquino, Siegmann participou da reunião e teve seu nome discutido para assumir uma função no setor. Ele, por sua vez, teria sugerido a contratação de Clemer para substituir Paulo Pezzolano.
A alternativa, porém, está longe de ser consensual. Siegmann teve uma passagem curta e conturbada pelo futebol colorado em 2011, com Falcão como técnico. Clemer, por sua vez, não comanda uma equipe profissional desde 2018, quando deixou o Brasil de Pelotas. As duas possibilidades, portanto, carregam dúvidas justamente em um momento em que o Inter precisa de respostas imediatas.
Barcellos ouviu as sugestões, mas não se manifestou sobre a possibilidade de adotá-las. Internamente, apesar da sequência negativa, há dirigentes que não consideram Pezzolano o principal responsável pelo desempenho da equipe. As falhas individuais têm pesado na avaliação. O erro, incomum no futebol profissional, do zagueiro Félix Torres que originou o primeiro gol do Santos, no domingo, é citado como exemplo de problemas que vão muito além das decisões do treinador.
PEZZOLANO E FABINHO
O trabalho do executivo de futebol Fabinho Soldado, por outro lado, também é alvo de questionamentos dentro do clube. A pressão, portanto, não está concentrada apenas na comissão técnica. A situação envolve o departamento de futebol como um todo e chega à direção em um momento particularmente delicado do time no Brasileirão.
Pezzolano, portanto, chega ao confronto com a Chapecoense sob pressão máxima, que pode tornar-se irresistível em caso de novo tropeço. Uma vitória em Chapecó é considerada fundamental para sua permanência. Um novo tropeço deve tornar a troca de treinador praticamente inevitável. Nesse caso, Barcellos e seus pares terão de enfrentar um problema adicional. Com apenas 12 rodadas restantes, o Inter precisaria encontrar um técnico disposto a assumir uma equipe ameaçada pelo rebaixamento, sem possibilidade de buscar reforços e em meio a uma crise financeira e política. Não é uma tarefa simples — e o calendário não oferece tempo para esperar.
Fonte: Correio do Povo
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