Demorou oito meses para que um dirigente do Grêmio se manifestasse de forma incisiva diante de um cenário que se arrasta durante toda a temporada. Coube ao diretor executivo Paulo Pelaipe expor as dificuldades de lidar com o processo de reconstrução em curso.
"Temos que ser honestos com o torcedor. (...) O presidente Odorico pegou o Grêmio quebrado. Devia para fornecedores, teve que abrir mão do Arthur. Estamos montando um time no meio da competição. (...) O Grêmio precisa honrar salários e manter a folha em dia como está. Estamos colocando o Grêmio dentro da realidade", disse o dirigente que falou até de cifras.
"Não adianta fazer onda. Tem que falar a verdade para o torcedor. (...) Em dezembro foram pagos R$ 53 milhões atrasados ao grupo de jogadores entre salários e premiações. (...) O Willian saiu porque não tínhamos como pagar o salário do jogador. E tem outros jogadores assim", revelou Pelaipe que reconheceu queda de produção após duas vitórias.
"Esse aí não é o Grêmio. Contra Mirassol e São Paulo fez jogos dignos do Grêmio, mas hoje não. A realidade é essa e o torcedor tem que ajudar. "Esses jogadores têm vergonha na cara. (...) Temos que deixar o sangue no campo", completou.
Por fim, ao ser perguntado se a diretoria está satisfeita com o trabalho de Luís Castro, Pelapie não deixou qualquer dúvida: "Está. Foi campeão gaúcho, colocou os meninos para jogar, inclusive um que estava para sair para o Botafogo (Viery). O Grêmio já fez 'doações' para o Botafogo como o Nathan e o Cuiabano. Ele tem coragem de botar o jogador para jogar. É um treinador que está acostumado a trabalhar com a base e tem casca para resistir. De 2021 a 2025 o Grêmio teve sete treinadores. (...) Vamos manter o Luís Castro e temos convicção de que dará resultado até o final do ano".
Fonte: Correio do Povo