Com a chegada do frio e o aumento das doenças respiratórias, os hospitais de Passo Fundo enfrentam um cenário de superlotação.
A secretária municipal de Saúde de Passo Fundo, Caroline Gosch, a diretora corporativa de governança clínica do Hospital São Vicente, Josiane Diehl Moia, e o infectologista do Hospital de Clínicas, Hugo Noal, reforçaram um alerta: a vacinação contra a influenza é a principal ferramenta para evitar casos graves, internações e mortes, mas a adesão da população ainda é baixa.
De acordo com a secretária Caroline Gosch, a cobertura vacinal entre os grupos prioritários no município de Passo Fundo está em torno de 48%, número considerado muito abaixo do ideal. “O ideal seria 100%, mas se chegássemos a 85% ou 90% já ajudaria muito na questão da superlotação dos hospitais”, afirmou. Ela ressaltou que Passo Fundo já registrou, até este domingo, 08 óbitos por gripe, todos de pessoas não vacinadas, sendo a maioria idosos. O município já registrou 63 hospitalizações. Ao todo, 11 pessoas morreram por Sindrome Respiratória Aguda, que inclui duas por Covid e uma não especificada.
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Hospitais operam acima da capacidade
A diretora do São Vicente, Josiane Diehl Moia, confirmou que a emergência do hospital está operando com lotação entre 115% e 120%, um cenário que costumava ocorrer apenas na segunda quinzena de maio, mas que neste ano começou mais cedo, já na primeira quinzena, possivelmente devido ao frio mais intenso.
Ela explicou que a maioria dos pacientes internados são idosos e pessoas com comorbidades, e o tempo médio de internação varia de cinco a sete dias. Apesar da alta demanda, a diretora afastou a ideia de colapso, citando que eventuais restrições de atendimento duram no máximo 12 horas.
O Hospital São Vicente atende cerca de 80% de pacientes de Passo Fundo, mas também recebe encaminhamentos de outras cidades por pactuação estadual. Apenas três dos 25 pacientes internados por doenças respiratórias ontem não eram passo-fundenses.
O médico infectologista Hugo Noal, do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, fez um alerta sobre a sobrecarga da unidade — que atende uma região com mais de dois milhões de habitantes — e destacou a importância da prevenção e da vacinação anual contra a gripe. Ele explicou que, embora seja difícil diferenciar clinicamente um resfriado de uma gripe ou da Covid-19 — sendo necessário exame laboratorial para o diagnóstico preciso —, o que mais preocupa neste momento é a evolução para quadros graves, especialmente aqueles que apresentam falta de ar. “O indivíduo pode ter síndrome gripal causada por vários vírus, como o da influenza, o da Covid, o rinovírus, o vírus sincicial respiratório. O quadro pode ser leve, moderado ou grave. O grave, com complicações e falta de ar, é a nossa maior preocupação”, afirmou.
Segundo Noal, o Hospital de Clínicas segue como referência para toda a região, mas já opera sobrecarregado. “Estamos recebendo pacientes graves de toda a região, que necessitam de internação e até de UTI. Estamos dando assistência a todos que é possível, dentro da regulação organizada pelo Estado”, disse. Sobre o funcionamento nos finais de semana, o médico garantiu que as equipes estão sempre à disposição, mas fez uma ressalva: “O que nos preocupa não é o hospital, é o que acontece fora dele. Não adianta o Clínicas estar preparado se as UPAs, os prontos-atendimentos e as unidades básicas de saúde não estiverem. E, principalmente, a questão preventiva.”
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Quando procurar a emergência?
A orientação da diretora Josiane é clara: nem todo sintoma gripal exige ida ao pronto-socorro. Os serviços de atenção primária (Unidades Básicas de Saúde, CAIS e Hospital Municipal) devem ser procurados nos primeiros dias de sintomas leves, como coriza, dor no corpo e febre que cede com medicação.
Já a emergência deve ser procurada quando houver:
– Persistência ou piora dos sintomas após 48 a 72 horas;
– Febre que não cede;
– Falta de ar, dificuldade para respirar ou sensação de opressão no peito;
– Em crianças: recusa alimentar ou dificuldade respiratória (tiragem no peito).
Sobre o afastamento de atividades, a orientação é: com teste postivo para influenza, o afastamento é de cinco dias, podendo se estender conforme a evolução clínica. A recomendação é que pessoas com sintomas gripais evitem aglomerações e ambientes fechados, usando máscara se necessário.
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Covid ainda circula
Caroline Gosch lembrou que o coronavírus continua em circulação, embora a gripe seja o principal diagnóstico agora. A vacina contra Covid é anual e está disponível na Central de Vacinas (rua Paissandu, ao lado do Juvenil), tendo sido incorporada ao calendário vacinal infantil.
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Uso do Tamiflu
A diretora do HSVP Josiane explicou que o antiviral Tamiflu é eficaz se administrado até 72 horas do início dos sintomas, reduzindo o tempo de doença e complicações. Sobre a vacina, ela esclareceu: tanto a dose do SUS (trivalente) quanto a da rede particular (tetravalente) são eficazes. A diferença é que a particular protege contra um tipo adicional de vírus. Já o infectologista Hugo Noal foi enfático ao criticar a baixa procura pela vacina da influenza neste ano. “A vacinação foi terrível. A população não fez a sua parte, e agora estamos colhendo as consequências. É uma situação educativa. Todo mundo sabe que o inverno vai agravar os quadros, mas as pessoas não tomam atitude”, lamentou.
Ele reforça que é preciso tomar a vacina da gripe todos os anos? “Sim. Precisa ser um hábito. As pessoas devem procurar logo no início da campanha”, orientou. E fez uma analogia: “Nenhuma vacina impede totalmente a doença. A vacina do tétano não impede você de ter tétano, mas evita o agravamento. O mesmo vale para a Covid e para a influenza. A vacina é um cinto de segurança.” Também reforço medidas simples de prevenção que ficaram conhecidas na pandemia, como lavar as mãos, adotar a etiqueta da tosse e separar pessoas com sintomas respiratórios. “A pessoa borrifa o vírus no ar, e as outras adquirem por secreções. Esse é o nosso desafio”, concluiu.
Nova remessa e locais de vacinação
Passo Fundo recebeu um lote com mais de 10,3 mil doses da vacina contra a gripe. A partir de segunda-feira, a vacina estará disponível para toda a população nas 26 salas de vacinação do município, enquanto durarem os estoques. A meta do Ministério da Saúde é enviar 97 mil doses, mas o número ainda não está confirmado.
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Fonte:
Uirapuru
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