Dupla Gre-Nal: Inversão de perspectiva na primeira fase
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Dupla Gre-Nal: Inversão de perspectiva na primeira fase

Com menos reforços e perdas mais importantes do que o Grêmio, Inter faz a melhor campanha do Gauchão ainda com ares de 2025

Por José Augusto Pirolli da Silva
02/02/2026 14:06
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Não é exagerada a sensação de que 2026 custa a se desvincular de 2025 na Dupla Gre-Nal. Pelo menos na participação das duas equipes na primeira fase do Campeonato Gaúcho, a impressão parece crível. A inversão de perspectiva a favor do lado vermelho após sete jogos em 20 dias (contanto a estreia do Brasileirão) encontra sentido no que se vê neste momento nos ambientes do Beira-Rio e da Arena.

O título do Inter no ano passado postergou por tempo indeterminado a possibilidade do rival chegar ao octa. A pressão para levantar a taça estadual em 2025 não se compara com a de defender a conquista agora. Essa questão somada aos resultados colhidos ajudam a compreender como tiveram pouco efeito os problemas do recomeço de trabalho no Beira-Rio.

Se nos três últimos jogos de 2025 houve três treinadores comandando o time, em 2026 o mesmo ocorreu nos três primeiros gerando estranheza em relação ao planejamento. Pablo Fernandez, auxiliar da casa, dirigiu os jovens na estreia com vitória diante do Novo Hamburgo, Paulo Pezzolano estreou com goleada no Monsoon e seu braço direito Esteban Conde esteve na derrota para o Ypiranga.

Somente na quarta rodada contra o Inter de Santa Maria é que os titulares apareceram. E depois dali só no clássico Gre-Nal. Ou seja, na melhor campanha geral com 15 pontos, Pezzolano só usou o que tem de melhor à sua disposição duas vezes em seis rodadas disputadas e mesmo assim terminou em primeiro no geral com folga.

A derrota para o Athletico quando o treinador preservou Mercado e Carbonero reacendeu a preocupação evidenciada na sua última fala, em Caxias do Sul: "O Flamengo é a prioridade". O Brasileirão, pelo drama da reta final da edição passada, concentra as maiores atenções coloradas.

O grupo é praticamente o mesmo, mas com a baixa significativa de Vitão entre os 11, e Ricardo Mathias e Luis Otávio como alternativas. Chegaram, além da nova comissão técnica e do executivo Fabinho Soldado; Paulinho, Félix Torres, Villagra e Alerrandro, que será apresentado nesta segunda-feira. “Pode jogar com Borré tranquilamente porque o Borré pode jogar de segundo ponta. Acho que eles podem jogar juntos”, adiantou o treinador.

No Inter, quem chegou agora ou quem permaneceu, sente 2025 ainda presente no campo e na atmosfera.

No Grêmio, ao mesmo tempo, resultados e algumas decisões do novo treinador despertaram uma espécie de "Déjà vu". A expressão francesa explica a desconfiança de que o torcedor parece já ter visto o que vem acontecendo nos últimos jogos. E que não esperava rever tão cedo.

A largada com vitória no Gauchão e a aparição de jovens como Tiaguinho e Roger sob a batuta de Luís Castro, nome de cabelos brancos e experiência com base, foi um sopro de mudança conceitual de futebol.

Uma derrota na Arena em seguida para o São José com antigos nomes na equipe, no entanto, reativaram velhos resmungos. Sob a ideia do 'jogo seguinte ser a prioridade’, o time principal foi sempre usado. Se não com todos titulares começando, entrando do banco. Até que a derrota de virada no Gre-Nal colocou à prova discurso e prática.

Por fim, a escalação do trio Dodi, Edenilson e Cristaldo na estreia do Brasileirão contra o Fluminense, simbolicamente fez ressurgir os tons do Grêmio de Mano Menezes no time do português. As chegadas de Weverton e Tetê, mais Enamorado e Caio Paulista, mesmo com mais de 15 saídas do elenco, dão ao técnico um leque maior de opções do que o colega uruguaio, E sábado reapareceram outras.

“Sobre o Monsalve, foi um bom retorno, um bom retorno do Balbuena também”, limitou-se a dizer Castro.

Os cinco pontos de diferença do Inter para o Grêmio ao término da primeira fase, além da inversão de perspectiva quando o ano começou, só abrem hipótese para Gre-Nal na final. Antes, Grêmio e Inter precisam avançar nos mata-mata. Até lá há muito por acontecer, basta medir pelos últimos 20 dias.

Fonte: Correio do Povo




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