Hemocentros do RS precisam de doadores
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Hemocentros do RS precisam de doadores

Por Alessandra Staffortti
29/08/2021 08:00
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Levantamento feito por Zero Hora, na quarta-feira (25), constatou redução no número de doações de sangue no Rio Grande do Sul. A situação é considerada crítica em nove dos 13 centros de doação consultados no Estado. Um dos exemplos é o Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs), em Porto Alegre, onde a frequência de voluntários diários caiu 75% nas semanas mais recentes.

De acordo com a assistente social do setor de captação do Hemorgs, Roberta Abbad, também especialista em saúde, todos os tipos sanguíneos estão em falta. Porém, como cerca de 40% da população é O positivo, este é um dos sangues mais solicitados, assim como voluntários que sejam O negativo, por serem doadores universais. Além disso, este tipo sanguíneo é usado para as bolsas pediátricas. O Hemorgs atende a 42 hospitais da Região Metropolitana, incluindo o Hospital de Pronto Socorro (HPS) e os hospitais com Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal.

— A baixa de candidatos está nos fazendo enfrentar um momento muito difícil. Precisamos de uma frequência de 120 candidatos/dia para termos 100 bolsas diárias. Nas últimas semanas, porém, estamos tendo de 30 a 40 pessoas, no máximo. O que nos possibilita ter de 20 a 30 bolsas por dia — explica Roberta.

A falta de sangue também atinge o interior do Estado, como no Hemocentro Regional de Pelotas (Hemopel), que está com os estoques 70% abaixo do considerado nível seguro. Faltam, principalmente, os tipos de sangue O e A negativo. O Hemopel abastece três hospitais da cidade e 24 municípios das regiões Sul e da Campanha.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a doação de sangue e seu processamento são fundamentais para garantir a disponibilização de componentes sanguíneos aos pacientes que necessitam de transfusão, como vítimas de acidentes, que precisam de cirurgias ou outras situações clínicas.

Conforme o presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), Gerson Junqueira Jr., o período de inverno é marcado por uma menor oferta de candidatos, agravando a situação dos estoques em todo o Estado. Nesta semana, a entidade realizou uma palestra virtual, com a participação de especialistas, para esclarecer dúvidas sobre os procedimentos relacionados à doação de sangue.

— É um problema crônico e relevante para o sistema de saúde. O cenário é preocupante há bastante tempo, mas ficou ainda pior por conta da pandemia. Por isso, fazemos esse apelo para incentivar a população a tornar a doação uma prática corriqueira — justifica o presidente da Amrigs.

Hábitos

Especialistas ressaltam que toda pessoa em boas condições de saúde pode doar sangue sem riscos ou prejuízos. Para a médica hematologista e hemoterapeuta Mariângela Moschen, também diretora médica da H. Hemo - regional Sul, tornar a doação de sangue um hábito de vida é um grande desafio, principalmente, entre os adolescentes - é possível ser doador a partir dos 16 anos.

— Também é preciso alertar que quem faz no próprio corpo tatuagens, maquiagem definitiva, micropigmentação de sobrancelha e piercing precisa de 12 meses de intervalo para voltar a doar sangue. E este intervalo ocorre porque há risco de contaminação, contrair hepatite, por exemplo, por meio destas intervenções — explica a médica.

Doação

Para ser um doador, o candidato faz um cadastro no local, em seguida passa pela pré-triagem, onde são verificados os sinais vitais (pressão arterial, temperatura e batimentos cardíacos), é pesado e faz teste de anemia. Depois, ele é entrevistado de forma individual e sigilosa antes de fazer a coleta de aproximadamente 450ml de sangue e amostras para a realização dos testes laboratoriais. Na última etapa do processo, o doador recebe um lanche depois da doação e permanece no local por 15 minutos até ser liberado.

Agente de saúde em Butiá, a 80km de Porto Alegre, Helen da Silva Ripoll, 42 anos, se tornou doadora depois de acompanhar o drama do próprio pai, transplantado de rins que necessitou de bolsa de sangue. Ele faleceu há 12 anos, mas ela seguiu na causa.

— Tive outros familiares e amigos que precisaram e pude doar. Como o meu sangue é universal, sempre que precisam, e eu posso, faço questão de ir. Brinco que é uma pena não poder doar dos dois braços para salvar ainda mais vidas — comenta.

Na quarta-feira (25), quando chovia num único dia quase a metade do previsto para o mês de agosto na Capital, Helen e um grupo de doadores saíram de Butiá por volta das 7h rumo a Porto Alegre. Era a data agendada para a segunda doação dela no ano. Helen já deixou a próxima marcada para dezembro, faça chuva ou sol.

INTERVALOS ENTRE AS DOAÇÕES

Mulheres: período de 90 dias/máximo de 3 doações nos últimos 12 meses.

Homens: período de 60 dias/máximo de 4 doações nos últimos 12 meses.

O QUE É PRECISO PARA DOAR

Estar em boas condições de saúde.

Apresentar documento oficial de identidade com foto.

Ter idade entre 16 e 69 anos, sendo que os candidatos a doadores com menos de 18 anos deverão estar acompanhados pelos pais ou por responsável legal.

Pesar no mínimo 50 Kg com desconto de vestimentas.

O limite de idade para a primeira doação é de 60 anos.

Não estar em jejum e evitar alimentação gordurosa.

Ter dormido pelo menos 6 horas antes da doação.

Não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação.

Não fumar pelo menos duas horas antes da doação.

IMPEDIMENTOS TEMPORÁRIOS

Ter gripe ou febre.

Gestantes ou mães que amamentam bebês com menos de 12 meses.

Até 90 dias após aborto ou parto normal e até 180 dias após cesariana.

Ter feito tatuagem ou acupuntura nos últimos 12 meses.

Ter exposição à situação de risco para a AIDS (múltiplos parceiros sexuais, ter parceiros usuários de drogas).

Estar com herpes labial.

Outros critérios que impedem a doação serão verificados por ocasião da entrevista de triagem.

IMPEDIMENTOS DEFINITIVOS

Ter tido doença de Chagas.

Ter tido hepatite depois dos 11 anos de idade.

Ser portador dos vírus HIV (AIDS), HCV (Hepatite C), HBC (Hepatite B), HTLV.

Usar drogas injetáveis.

Usar piercing na língua ou nos órgãos genitais.

Outros critérios que impedem a doação serão verificados por ocasião da entrevista de triagem.

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Fonte:

FONTE: Secretaria Estadual da Saúde (SES)




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