Inter terá dívida, bloqueios e reformulação do elenco como desafios para 2027
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Inter terá dívida, bloqueios e reformulação do elenco como desafios para 2027

Próxima direção precisará reorganizar as finanças e recuperar a capacidade de contratar

Por José Augusto Piroli da Silva
23/10/2026 11:33
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A próxima direção do Inter, que será eleita nas próximas semanas, terá pela frente uma missão que vai muito além de reorganizar o futebol. Dívida elevada, déficit acima do previsto, restrições para registrar jogadores e compromissos financeiros acumulados compõem o cenário que o novo presidente encontrará a partir de 2027. E tudo poderá ficar ainda mais complicado caso o clube não consiga escapar do rebaixamento no Brasileirão.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. Em 2025, o Colorado registrou receita bruta de R$ 776 milhões. A dívida nominal fechou em R$ 939 milhões, enquanto o passivo total permaneceu na casa de R$ 1,2 bilhão. Os números, porém, foram piorando ao longo de 2026.

Nos primeiros sete meses do ano, o déficit chegou a R$ 160,1 milhões, superando em R$ 50,8 milhões o resultado negativo de R$ 109,3 milhões previsto no orçamento. Conforme a apresentação dos dirigentes ao Conselho Deliberativo, o desempenho foi prejudicado pela ausência de um patrocinador máster e pela falta de vendas de jogadores previstas no planejamento.

As dificuldades financeiras já têm reflexos diretos no futebol. Em agosto e setembro, o Inter sofreu duas punições da Fifa que impedem o registro de novos jogadores. Os casos envolvem pendências nas contratações do zagueiro Juninho, junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e do lateral Ramon, adquirido do Olympiacos, da Grécia.

A expectativa de novas sanções até o final do ano amplia a preocupação e pode transferir para a próxima gestão um problema ainda maior. Além de negociar os débitos, será necessário obter a liberação dos bloqueios para voltar a registrar reforços entre o final de dezembro e o início de janeiro.

Em outubro, o clube também foi submetido a um bloqueio preventivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). A medida está vinculada ao pedido de parcelamento coletivo apresentado pelo Inter à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O plano abrange inicialmente R$ 31 milhões em dívidas esportivas com jogadores e outros clubes.

A resolução dessas pendências será determinante para o planejamento. Não bastará identificar jogadores disponíveis: a direção precisará ter condições de registrá-los e de assumir os compromissos financeiros decorrentes das contratações.

REBAIXAMENTO

A montagem do elenco para a próxima temporada já exigirá decisões sobre contratos que terminam. A possibilidade de queda para a Série B, porém, muda completamente a dimensão do problema. A redução das receitas com direitos de TV, patrocínios e outras fontes obrigaria o Inter a rever o orçamento e redimensionar a folha. Nesse cenário, uma reformulação profunda do grupo se tornaria praticamente inevitável, com a saída de jogadores de vencimentos elevados e a busca por alternativas mais baratas.

Até mesmo atletas que conseguiram apresentar desempenho satisfatório em meio à temporada difícil poderiam deixar o Beira-Rio. É o caso de Villagra, emprestado pelo CSKA Moscou. Para adquirir os direitos do argentino, o Inter precisaria desembolsar 4,6 milhões de euros, valor que representaria um investimento difícil de justificar em um cenário de Série B.

ELEIÇÃO

Três chapas estão inscritas para disputar a presidência do Inter: José Amarante, pelo movimento Sou Inter; Leonardo Aquino, pelo Sangue Colorado; e Roberto Melo, pelo Inter Grande. O primeiro turno ocorrerá em 9 de novembro, no Conselho Deliberativo. A decisão passará aos associados, em votação prevista para 12 de dezembro.

Independentemente de quem vencer, a nova direção terá de conciliar a recuperação financeira com a necessidade de montar uma equipe competitiva. A divisão em que o Inter disputará o Brasileiro de 2027 será determinante para estabelecer receitas e despesas. Ou seja, o Inter já enfrenta uma situação financeira delicada e, se for rebaixado, tornará o cenário ainda mais grave, com consequências para o orçamento, o elenco e a capacidade de honrar compromissos. É essa herança que estará à espera do próximo presidente.

Fonte: Correio do Povo




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