Tradição popular no Rio Grande do Sul relaciona o fim de setembro às grandes chuvas; em 2026, período é marcado por volumes elevados e influência do El Niño
O calendário marca, nesta terça-feira (29), o dia de São Miguel Arcanjo. Para os gaúchos, a data também carrega uma expressão que atravessou gerações: a chamada “Enchente de São Miguel”, usada para se referir às chuvas volumosas e às cheias que costumam ocorrer no fim de setembro.
A tradição não surgiu por acaso. Setembro e outubro estão entre os meses mais chuvosos do ano no Rio Grande do Sul, período de transição entre o inverno e a primavera, quando o encontro de massas de ar de características diferentes favorece a formação de temporais. Registros históricos mostram ainda uma concentração de episódios de chuva mais intensa na segunda metade de setembro.
O nome ficou associado ao dia 29 porque, no passado, chuvas fortes próximas à data frequentemente comprometiam festas e atividades realizadas nas comunidades rurais. Com a repetição dos episódios, a relação entre a chuva e São Miguel acabou incorporada à cultura popular gaúcha. A meteorologia, porém, não atribui as chuvas ao santo: trata-se de uma coincidência relacionada às características atmosféricas dessa época do ano.
Fim de setembro chega com chuva e influência do El Niño
A tradição encontra, em 2026, um cenário de muita chuva no Rio Grande do Sul. Desde o início de setembro, diferentes regiões do Estado vêm registrando volumes elevados de precipitações. Em Ibiaçá, dados coletados pela Cooperativa Coofiume apontam 240 milímetros de chuva desde o começo do mês.
O período também ocorre sob influência de um El Niño muito forte. O fenômeno altera os padrões de circulação da atmosfera e, no Sul do Brasil, está associado a uma maior frequência de chuva e à possibilidade de volumes acima da média durante a primavera. O cenário previsto para setembro a novembro indica precipitações acima da média em áreas da Região Sul.
Nos últimos dias, temporais atingiram diversas regiões gaúchas, com chuva intensa, granizo e rajadas de vento. A Defesa Civil também mantém atenção para a elevação dos níveis dos rios e possibilidade de inundações em diferentes bacias do Estado.
Jornalismo Rádio Tapejara
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