09 novembro 2019 | 07h32
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CTI Neonatal do Hospital São Vicente já registrou 371 internações de prematuros neste ano

“O mais difícil, foi quando eu internei no hospital e o médico falou que ela já ia nascer. A gente se prepara toda gravidez, imagina um bebê grande e saudável, que não precise ficar na CTI”. A angústia sentida por Patricia Pietrobelli Mittlstaedt, se dá pela pequena Joana. A prematura, nasceu no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, no dia 31 de agosto deste ano, pesando apenas 610 gramas. Só neste ano, o HSVP, que é referência no norte do Estado, no acompanhamento de bebês prematuros, atendendo 147 municípios da região, registrou 371 internações de prematuros até outubro deste ano. No ano passado, foram 435 internações.

Conforme explica a enfermeira, e responsável pela da CTI Neonatal do hospital, Alessandra Silva, o cuidado com o bebê inicia desde a Maternidade, até a passagem pelo CTI Neonatal, e o acompanhamento quando o paciente recebe a alta hospitalar. “Quando o bebê nasce aqui na Maternidade, ele vai para UTI, depois que o paciente estiver clinicamente melhor, ele passa para a Unidade Intermediária e depois para a Pediatria. Nós fazemos esse acompanhamento, de conhecer a Maternidade e a UTI, para a mãe já ir se familiarizando com o espaço, e no dia em que a criança nascer, ela já estar mais tranquila”, ressalta.

A enfermeira comenta ainda, que o tempo de internação pode variar. O hospital já recebeu bebês entre 24 e 25 semanas, que tiveram um bom desenvolvimento. “Não é só uma luta para viver, mas poder viver com qualidade de vida e poder se integrar na sociedade. Esse é o nosso maior foco. Esses bebês prematuros extremos, normalmente ficam aqui entre quatro a seis meses, no mínimo”. Há 67 dias no CTI, Joana, hoje com aproximadamente 1.440g, já passou por vários setores. A mãe comenta, que a rotina da neonatal para o leito intermediário já ocorreu pelo menos três vezes. “Tudo é em prol dela. Eu já levei alguns sustos, e a luta e as orações são diárias. Mas ao mesmo tempo, a gente vai aprendendo que, assim como eles ficam ruins rápido, eles se recuperam rápido também”, acrescenta Patrícia, que diariamente visita a filha no local.

Prematuridade

Os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer, sendo o prematuro limítrofe aquele nascido entre 37 e 38 semanas, moderado nascido entre 31 e 36 semanas e prematuro extremo aquele nascido entre 24 e 30 semanas de idade gestacional. Quanto ao peso de nascimento, denomina-se os bebês com menos de 2kg como baixo peso, muito baixo peso os com menos de 1,5kg e extremo baixo peso aqueles com peso menor que 1kg. No Brasil, aproximadamente 10% dos bebês nascem antes do tempo, segundo dados do Ministério da Saúde.

Não há fatores que definem exatamente que o bebê vá nascer prematuro, contudo, conforme explica a enfermeira e coordenadora da área materno-infantil do HSVP, Josevane Conte, há causas que podem desencadear o nascimento antes do tempo. “A falta de pré-natal, ou que tenha sido realizado inadequadamente, a idade da mãe, o uso de álcool, drogas, ou até mesmo mães que entram em contato com algumas doenças e infecções, como a sífilis e toxoplasmose, podem ser prejudiciais para o bebê. "A infecção urinária, se não for tratada, também pode levar ao nascimento precoce”, pontua. O estresse do dia a dia e a sobrecarga de atividades e responsabilidades, também são considerados sinais de alerta para que a prematuridade não ocorra. "Tudo pode variar, mas o nosso objetivo é que as mães possam ter um acompanhamento, que o bebê tenha um suporte para que nasça mais perto do tempo possível", acrescenta Josevane.

CTI Neonatal

A equipe da CTI Neonatal do hospital, conta com 28 leitos, sendo 20 leitos neonatos e oito leitos intermediários. “A demanda sempre é muito grande, e a maioria são pacientes transferidos de outros municípios”, comenta a médica neonatologista, Dra. Cristiane Cassanelo. Somente no mês de outubro, foram 32 internações, sendo 10 de Passo Fundo e 22 de municípios vizinhos. “A nossa luta é para que o bebê ficar o maior tempo possível na barriga da mãe. Um dia faz a diferença, uma semana faz muito a diferença para o bebê”.

A CTI registrou apenas 20 óbitos neste ano. Agosto foi o mês com maior número de prematuros que não sobreviveram, com cinco óbitos contabilizados. "A nossa taxa de mortalidade se mantém, por anos, em média, sempre menor que 10%. Isso é muito bom", ressalta a especialista, enfatizando ainda a necessidade da presença da família no cuidado com o prematuro. "O bebê vem para cá, fica dentro da incubadora, e às vezes, os pais acham que não podem tocar no bebê, que é algo distante, e assim não conseguem desenvolver o vínculo com a criança. Todo esse cuidado e atenção com os pais e os filhos, a gente começa a formar aqui na CTI Neonatal, desde que ele nasce".

Desenvolvimento do prematuro

No ambulatório, os pequenos contam com o apoio de uma equipe multiprofissional, formada por enfermeiras, fisioterapeuta, fonoaudiólogas, médicas pediatras e neonatologistas, oftalmologistas, neurologistas, nutricionistas e psicólogas. Segundo a fonoaudióloga e presidente do Ambulatório dos Primeiros Passos do Prematuro do HSVP, Laura Giacometti, é realizado uma bateria de avaliação para identificar possíveis riscos no desenvolvimento da criança, e intervir o quanto antes. "Acompanhamos os prematuros menores de 1,5 kg no ambulatório até os dois anos de idade, porque é uma fase que se consegue diagnosticar e já iniciar o tratamento", pontua.

Ainda, de acordo com a fonoaudióloga, quando os bebês nascem muito prematuros, eles correm o risco de deficiência auditiva, alteração visual, podendo afetar também o desenvolvimento neuropsicomotor da criança, atraso na fala e para caminhar. "Então nós temos, por exemplo, as nutricionistas, que se precisar de alguma fórmula para o bebê ganhar peso, elas auxiliam, o apoio emocional com as psicólogas e a avaliação com o oftalmologista". Além disso, no dia que os bebês recebem alta hospitalar, já é marcada a data da primeira consulta. "É um trabalho desafiador. A gente vê muitos desfechos felizes, e outros não, mas a partir do momento em que nós conseguimos ajudar os filhos, acalmar e orientar os pais, eles já se sentem mais seguros", evidencia Laura.

Humanização

A fim de buscar melhorar a qualidade da atenção prestada à gestante, ao recém-nascido e sua família, a partir de uma abordagem humanizada e segura, diversos métodos são realizados pela equipe do HSVP. Conforme explica a enfermeira Alessandra, o mais conhecido, o método Canguru, que consiste em colocar o bebê pele a pele. A mãe, ou o pai, tira a camiseta, coloca um avental, e a equipe enfaixa os dois juntos. “E ali eles ficam por minutos, horas, o tempo que os pais quiserem”. O método ajuda, principalmente, a manter a temperatura da criança. “O neném fica em contato com a pele dos pais, então se consegue manter a temperatura, o bebê consegue escutar o coração da mãe e assim, repetir esse movimento da respiração, sente o cheiro, a voz, o carinho e o amor dos pais. Isso ajuda no ganho de peso”, afirma.

Na unidade de cuidados intermediários, quando o bebê já está clinicamente melhor, é realizado o banho de ofurô. “Ficamos em um lugar quente, aconchegante, com a água morninha e enrolamos o bebê para dar o banho”, explica Alessandra. Nesse método, os pais assistem os primeiros banhos e depois, quando se sentirem confiantes, começam a dar o banho dos filhos. “Sempre tem o acompanhamento da equipe de enfermagem ao lado, mas a gente deixa o momento para eles curtirem o bebê, secar e colocar a roupinha. A gente tenta deixar o bebê o mais calmo e confortável possível”. A hora do soninho, é outro método realizado diariamente na CTI. Segundo Alessandra, é o momento em que a equipe escurece toda a unidade e coloca uma música aconchegante. “Por uma hora, ninguém mexe no paciente, para ele ter aquele sono profundo”.

Mateada da Prematuridade

O novembro roxo, em alusão ao dia 17 de novembro, é lembrado como o Dia Mundial da Prematuridade. A campanha tem como objetivo alertar sobre o crescente número de partos prematuros, como preveni-lo, informar sobre as consequências do nascimento antecipado para o bebe?, para sua família e para a sociedade, além de trabalhar junto as equipes o melhor atendimento e cuidado. Além disso, neste domingo, 10 de novembro, O HSVP realiza a Mateada da Prematuridade, a partir das 15h, na Praça Tamandaré. A Mateada atenta para o fato de que, apesar do elevado número de nascimentos prematuros e os riscos neles envolvidos, é possível prevenir o parto prematuro e suas consequências para a saúde do bebê.

fonte:

HSVP

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