11 janeiro 2019 | 11h29
Atualizado em 11 janeiro 2019 | 11h34
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Integrado UPF forma primeiro aluno imigrante da instituição
Professor tapejarense, Jonir Dalbosco entregou o diploma

“Quando eu cheguei, eu queria estudar e ser alguém aqui no Brasil”. Quase cinco anos após sua chegada, o desejo do senegalês Moussa Gueye se realizou. Na tarde desta quinta-feira, dia 10 de janeiro, ele recebeu, das mãos do diretor do Centro de Ensino Médio Integrado UPF, mantido pela Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF), Jonir Dalbosco, o certificado do curso Técnico em Eletrotécnica. A cerimônia de colação de grau, de gabinete, ocorreu na sala de reuniões do Integrado, na presença do irmão de Moussa e do presidente da Associação dos Senegaleses de Passo Fundo, Aliou Thiam.

Foram dois anos de estudo até que Moussa conquistasse seu objetivo. Chegou a Passo Fundo em junho de 2014 ainda sem falar muito bem o português. Ajudado pelo irmão que estava aqui a mais tempo, ele conta que começou a trabalhar e ir em busca do sonho de estudar. Tentou bolsas de estudos em outras instituições, mas escolheu o Integrado após pesquisar sobre a história e o ensino oferecido aqui. “Eu achei a escola muito interessante e escolhi estudar aqui. Agora, estou feliz por me formar e também por ser o primeiro aluno senegalês a conquistar esse objetivo”, disse. O próximo passo, segundo Moussa, é trabalhar na área, ganhar mais experiência e continuar os estudos. “Sou muito novo e tenho muita coisa para conquistar na vida. Se eu tiver a oportunidade de continuar com meus estudos, quero ser engenheiro. Acho que a próxima formatura vai ser essa, é o meu sonho”, completou.

Para o diretor do Integrado, receber Moussa foi uma alegria e também um desafio para a instituição, que além de Moussa, recebeu também outros dois imigrantes senegaleses que ainda não concluíram seus estudos. “Esse desafio iniciou ainda quando eles vieram conversar comigo sobre a possibilidade de fazer um curso técnico. Nós tínhamos que analisar toda uma documentação estrangeira, um protocolo diferente do nosso. Experiências como esta são importantes porque enobrecem a nossa instituição no sentido de que você está acolhendo uma pessoa que veio buscar melhores condições de vida no nosso país por meio do conhecimento”, destacou. Na opinião de Dalbosco, uma escola é uma instituição social que tem que formar pessoas para a vida e para o trabalho. “Esses alunos vieram estudar na escola gratuitamente e hoje o Moussa está saindo com um diploma de técnico do Integrado. Nós estamos muito satisfeitos em, como instituição de ensino, oportunizar uma formação técnica para ele”, pontuou.

Exemplo para outros imigrantes

O presidente da Associação dos Senegaleses de Passo Fundo disse que a colação de grau de Moussa é um momento importante para a história, tanto do Senegal quanto do Brasil. “Imagine um rapaz, que vem de um lugar tão longe, buscar a vida, conseguir um emprego, trabalhar oito horas e junto com isso estudar, durante dois anos. Isso é um exemplo que vai servir para toda a nossa comunidade, vai incentivar nossa juventude”, ressaltou Thiam. Ao mesmo tempo, ele acredita que dar essa oportunidade é uma forma de o Brasil, e principalmente Passo Fundo, enviar uma mensagem importante. “Isso mostra que a imigração não vem para estragar um país, não vem para trazer problemas. Se todo o imigrante conseguir fazer como Moussa, acho que o Brasil vai ser um país mais desenvolvido”, finalizou.

Rd Planalto

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